Diário de São Paulo
Siga-nos
COLUNA

Elon Musk e as eleições de 2022 no Brasil: Possível interferência dos EUA

O bilionário Elon Musk sugere que o 'deep state' dos EUA favoreceu Lula contra Bolsonaro nas eleições de 2022, gerando polêmica. - Imagem: Reprodução | X (Twitter) - @EFEnoticias
O bilionário Elon Musk sugere que o 'deep state' dos EUA favoreceu Lula contra Bolsonaro nas eleições de 2022, gerando polêmica. - Imagem: Reprodução | X (Twitter) - @EFEnoticias
Agenor Duque

por Agenor Duque

Publicado em 14/02/2025, às 08h30


O bilionário Elon Musk, dono da plataforma X (antigo Twitter) e assessor do governo Trump, sugeriu nesta quarta-feira (12) que o 'deep state' dos Estados Unidos interferiu nas eleições presidenciais brasileiras de 2022, favorecendo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) contra Jair Bolsonaro (PL). A declaração foi feita em resposta ao senador republicano Mike Lee, de Utah, na rede social X.

Lee, que se reuniu recentemente com o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) em Washington D.C., questionou se os americanos se revoltariam ao descobrir que o governo Biden financiou a derrota de Bolsonaro. "Se o governo dos EUA tivesse financiado a derrota de Bolsonaro por Lula, isso te incomodaria? Eu ficaria lívido. Quem está comigo nisso?", escreveu o senador. Musk, então, respondeu: "Bem, o 'deep state' dos EUA fez exatamente isso".

A expressão 'deep state' é frequentemente usada para descrever uma suposta estrutura oculta dentro do governo americano que operaria independentemente dos presidentes eleitos, influenciando decisões e promovendo interesses próprios.

Acusações e contexto

A declaração de Musk reacendeu questionamentos sobre o possível envolvimento dos Estados Unidos nas eleições brasileiras. Entre os principais pontos levantados por conservadores está o financiamento de projetos contra a 'desinformação' no Brasil por meio da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAid). A agência teria repassado verbas a ONGs e ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) durante o período eleitoral.

Eduardo Bolsonaro, durante sua visita a Washington, buscou reunir informações que sustentem a tese de interferência externa, reforçando a narrativa de que Bolsonaro teria sido alvo de uma campanha internacional. Essa estratégia pode fortalecer a mobilização a favor da anistia de manifestantes presos após os atos de 8 de janeiro e impulsionar uma eventual candidatura do ex-presidente em 2026.

Musk e a liberdade de expressão

Elon Musk tem sido um crítico da censura e da influência governamental sobre plataformas digitais. No Brasil, já entrou em conflito com o Supremo Tribunal Federal (STF) e com o ministro Alexandre de Moraes, após sua rede social X ser alvo de decisões judiciais que levaram ao bloqueio de perfis conservadores. Musk denunciou essas ações como uma ameaça à liberdade de expressão e chegou a suspender temporariamente a operação da plataforma no país em protesto.

Atualmente à frente do Departamento de Eficiência Governamental (DOGE) nos Estados Unidos, Musk defende a revisão do papel de entidades como a USAid, argumentando que elas operam como instrumentos de influência política e geopolítica. Ele tem apoiado a iniciativa de Trump para reduzir o alcance de organismos que, segundo ele, favorecem governos de esquerda ao redor do mundo.

O que esperar daqui para frente?

As declarações de Musk e a crescente ofensiva republicana contra a USAid prometem acirrar os debates políticos nos EUA e no Brasil. Enquanto a Casa Branca nega qualquer envolvimento no pleito brasileiro, as suspeitas levantadas pelo empresário alimentam novas discussões sobre a influência estrangeira em eleições e o papel das agências governamentais americanas.

Para os conservadores, a fala de Musk pode se tornar um ponto-chave na busca por respostas sobre a atuação do governo Biden na política brasileira e na possível reabilitação política de Jair Bolsonaro para 2026.