
por Agenor Duque
Publicado em 02/12/2024, às 08h17
A empresa chinesa China Nonferrous Trade (CNT), subsidiária estatal do governo da China, adquiriu a maior reserva de urânio do Brasil, localizada em Pitinga, no Amazonas. A transação, avaliada em US$ 340 milhões, cerca de R$ 2 bilhões, foi anunciada oficialmente na última terça-feira, 26, pela mineradora Taboca ao Governo do Amazonas.
A Taboca opera na mina de Pitinga, situada na região da hidrelétrica de Balbina, em Presidente Figueiredo, desde 1969. Essa reserva, a apenas 107 km de Manaus, é considerada uma das mais promissoras do país, devido à sua concentração de urânio e outros minerais estratégicos.
No comunicado divulgado, a mineradora afirmou que transferiu 100% de suas ações à CNT. “Este novo momento é estratégico e constitui uma oportunidade de crescimento para a Mineração Taboca”, declarou a empresa. O texto ainda destacou que a negociação foi conduzida pela Minsur S.A., uma companhia peruana que controla a Taboca.
Repercussão e preocupações
A venda levantou questionamentos no cenário político brasileiro. O senador Plínio Valério (PSDB-AM) criticou, em pronunciamento no Senado, as restrições enfrentadas por empresas nacionais na exploração de recursos naturais na Amazônia, enquanto conglomerados estrangeiros, como a CNT, conseguem acesso a reservas estratégicas.
“Estamos entregando a soberania nacional nas mãos de quem pode usar esses recursos para fortalecer suas próprias indústrias bélicas e nucleares”, afirmou o parlamentar. Ele destacou que, além do urânio, a mina de Pitinga contém nióbio, tântalo, estanho e tório, minerais cruciais para a produção de tecnologias avançadas, como turbinas, foguetes e baterias.
O nióbio, por exemplo, é altamente valorizado no setor aeroespacial devido às suas propriedades em ligas super-resistentes. Já o tório e o urânio são essenciais para o funcionamento de reatores nucleares, o que evidencia o interesse estratégico da China na aquisição.
Contexto comercial Brasil-China
A compra da mina de Pitinga ocorre em um momento de fortalecimento das relações comerciais entre Brasil e China. Na quarta-feira anterior à transação, 20 de novembro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu Xi Jinping, presidente chinês, no Palácio da Alvorada para discutir parcerias bilaterais.
A visita resultou na assinatura de 37 acordos comerciais, abrangendo áreas como agricultura, educação, tecnologia, energia e mineração. Apesar disso, o Brasil optou por não aderir integralmente à Nova Rota da Seda, um programa trilionário de investimentos liderado pela China, limitando-se a firmar protocolos de sinergia com a iniciativa.
Embora a China seja o principal parceiro comercial do Brasil, há alto risco na ampliação de parceria com governos totalitários como o chinês. A diplomacia brasileira demonstrou cautela, considerando o cenário internacional e a tradição de neutralidade do país em acordos geopolíticos de grande escala.
Soberania em debate
A aquisição da mina reacende o debate sobre soberania nacional e a exploração de recursos estratégicos no Brasil. Para muitos, a venda levanta preocupações sobre a dependência externa em setores sensíveis, como o de minerais essenciais para o desenvolvimento tecnológico e energético.
Por outro lado, defensores do negócio argumentam que a entrada de capital estrangeiro pode impulsionar a economia local e modernizar a infraestrutura de extração na região. Contudo, a falta de regulamentação mais rigorosa para evitar a concentração de recursos em mãos estrangeiras segue como ponto de controvérsia.
Em meio a críticas e expectativas, o caso da mina de Pitinga reflete os desafios do Brasil em equilibrar interesses econômicos e geopolíticos em um cenário global cada vez mais competitivo.
Leia também

Má gestão na saúde coloca vidas em risco: crise da GEAP deixa servidores sem atendimento e amplia sensação de abandono

Eduardo Moura gera repercussão após declaração sobre conteúdo ilegal em debate

Carro fica pendurado em mureta após acidente em viaduto na Zona Oeste de São Paulo

Justiça mantém preso motorista que atropelou e matou coletor de lixo na Barra Funda

O fim da Ordem Mundial: 2026 e o retorno do "cada um por si"

Governo de SP adia início do pedágio eletrônico na Anchieta-Imigrantes após protestos de moradores

Grupo Hapvida lança a marca NotreDame Saúde

Justiça mantém preso motorista que atropelou e matou coletor de lixo na Barra Funda

Moraes cobra explicações sobre falhas em tornozeleira eletrônica de Débora Rodrigues

Carro fica pendurado em mureta após acidente em viaduto na Zona Oeste de São Paulo