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Marcus Vinícius de Freitas: Joe Biden, Trump e Bolsonaro

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Marcus Vinícius de Freitas: Joe Biden, Trump e Bolsonaro

Joe Biden, Trump e Bolsonaro

Marcus Vinícius de Freitas

Com a posse de Joe Biden, na presidência dos Estados Unidos, as perspectivas globais são de uma mudança não de conteúdo, porém de postura, por parte do governo daquele país, em relação à forma como Donald J. Trump lidava com muitas temáticas domésticas e internacionais. Em que pese a truculência e a forma de Trump tratarvários assuntos, não há dúvida de que o seu período à frente da presidência, se por um lado diminuiu a estatura global do país, internamente lhe deu fôlego, apesar da pandemia da COVID-19, que apagou muitos dos resultados positivos dos três anos anteriores.

É inequívoco que houve ganhos na Administração Trump, que não serão reconhecidos, atualmente, em razão do tenso clima político. No entanto, o tempo e a história revisitarão este período turbulento com um olhar diferenciado. Dentre as maiores realizações de Trump nos últimos 4 anos, podem-se destacar, no período pré-pandemia, a recuperação econômica, com a menor taxa histórica de desemprego, inclusive entre latinos e afrodescendentes, a reforma do sistema previdenciário, a recuperação das forças militares e o seu respectivo incremento orçamentário, o maior período sem guerras iniciadas pelos Estados Unidos nos últimos 50 anos e a consolidação da independência energética do país. E, no período da pandemia, Trump, que não adotou uma postura negacionista – apesar de tentar atenuar o impacto da pandemia – foi o que mais estimulou o desenvolvimento da vacina contra a COVID em temporecorde. Além disso, logrou o fortalecimento de um caminho de paz mais sólido para o Oriente Médio, a transferência da embaixada para Jerusalém, e uma diminuição nos testes nucleares da Coreia do Norte. Estes resultados positivos lhe angariaram uma votação histórica sem precedentes, inclusive uma base consolidada no Partido Republicano. Em que pesem os dois impeachments – baseados em linhas partidárias, ressalte-se – a liderança de Trump seguirá influente nos rumos daquele partido. O cenário eleitoral dos próximos quatro anos dependerá muito de como Trump atuará como ex-presidente ou possível candidato à eleição em 2024. O episódio fatídico no Capitólio, no entanto, continuará a ser algo difícil a digerir politicamente.

As mídias seguirão no processo de desconstrução da imagem de Trump. Obviamente que uma administração Biden com resultados positivos aceleraria o processo de desconstrução, além da enorme fadiga resultante daconstante presença midiática de Trump. Biden enfrentará uma situação difícil de recuperação econômica pós-pandemia e uma disputa pela liderança global com a China, o gigante asiático que, nos últimos 40 anos, conseguiu transformar-se na maior potência econômica global (em paridade do poder de compra) e o parceiro preferencial da maior parte dos países do mundo. Ademais, Biden enfrentará, com a resistência de Trump e seus seguidores, o constante questionamento da legitimidade de sua eleição que, apesar de sancionada pelo Colégio Eleitoral, ainda enfrentará, em razão da resistência e das alegações incomprovadas de Trump, a mácula da dúvida. O controle democrata do Senado e da Câmara de Deputados, certamente, auxiliará Biden a alcançar resultados rápidos. No entanto, o período para implementação de medidas é efetivamente é curto, considerando que um novo ciclo eleitoral ocorrerá em 2022 com a eleição de todos os deputados e 34 dos 100 senadores. Biden terá de aproveitar o máximo desta curta lua de mel, sob pena de ver sua presidência inerte, se perder as maiorias que possui. Biden terá de avaliar, rapidamente, quais vitórias de Trump ele deverá manter e como impor-lhes uma nova marca. Dentre estas, certamente, o Tratado Comercial com a China é o primeiro item da sua agenda internacional.

A saída de Trump deveria, imediatamente, reorientar o posicionamento do Brasil e sua política externa. Equivocadamente, tentou-se colar no Presidente Jair Bolsonaro a imagem de que seria o Trump dos Trópicos. Nada poderia ser mais equivocado. Trump, que jamais negou a COVID-19, a sua maior vilã, teve um histórico de resultados muito mais positivos comparativamente. Foi Trump quem mais estimulou a pesquisa por uma vacina. Além disso, estimulou um crescimento econômico sem precedentes, promoveu adesburocratização, a redução de impostos e incentivou o capitalismo norte-americano. Tudo isto ocorreu num ambiente muito mais tóxico, complicado e de maior resistência que no Brasil. A realidade é que o segredo fundamental do sucesso de Trump foi o fato de ele ter uma perspectiva dos resultados – ainda que por muitos considerada equivocada – do que queria realizar. E o juízo da história levará seus resultados em consideração. Se fez isto com Nixon e George W. Bush, certamente ocorrerá o mesmo com Trump.

O Brasil precisa mudar a sua tônica de isolamento global. O País precisa do mundo e deve beneficiar-se, positivamente, se adotar medidas que levem ao crescimento da renda global do país, além de medidas que estimulem o emprego, exportações e melhoria da infraestrutura. A atual administração insiste em não enxergar o tsunami da mudança global, que, certamente, colocará o Brasil numa situação de menor relevância. Isto não quer dizer que o posicionamento adotado pelos governos anteriores estivesse correto. Não estavam. Mas implica que o Brasil deve repensar sua estratégia e objetivos no curto, médio e longo prazos. Parceiros existem que contam com um Brasil mais ativo e altivo na ordem global. Resta corresponder às expectativas daqueles que tanto esperam do País. Uma nova administração na Casa Branca talvez faça repensar os rumos que a atual administração tem tomado. Sem Trump na Casa Branca, muito da retórica e estratégia terão de ser alteradas. E isto será bom para o Brasil.

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