Vacinação

Vacina contra herpes zóster é discutida para entrar no SUS

Se aprovada, a imunização começará a ser ofertada a pessoas a partir de 80 anos

A nova vacina promete eficácia superior a 80% na prevenção do herpes zóster - Imagem: Reprodução/Cofen

Gabriela Nogueira Publicado em 17/09/2025, às 18h48

O Ministério da Saúde deu início, nesta quarta-feira (17), a uma consulta pública visando a discussão sobre a possível inclusão da vacina contra herpes zóster no Programa Nacional de Imunização (PNI). Esta proposta abrange idosos com 80 anos ou mais e indivíduos imunocomprometidos a partir dos 18 anos.

A Consulta Pública nº 78 estará acessível até o dia 6 de outubro na plataforma Participa + Brasil. Até o momento, já foram registradas 75 contribuições de cidadãos interessados. Qualquer pessoa tem a oportunidade de enviar suas opiniões e sugestões relacionadas ao tema.

Para participar, os interessados devem preencher um formulário eletrônico disponível na plataforma. É permitido o envio de até dois documentos com sugestões ou informações adicionais. No entanto, a submissão de dados pessoais, informações sensíveis ou materiais pertencentes a terceiros sem a devida autorização é estritamente proibida.

As contribuições enviadas serão analisadas por uma comissão técnica responsável por decidir sobre a inclusão da vacina no programa. Os relatórios técnicos que fundamentam a recomendação preliminar da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias (Conitec) dentro do Sistema Único de Saúde (SUS) estão disponíveis para consulta pública. A análise e as deliberações do colegiado também podem ser acessadas no relatório publicado pelo Ministério da Saúde.

O herpes-zóster, popularmente conhecido como cobreiro, é desencadeado pela reativação do vírus da varicela (varicela-zóster) e geralmente afeta pessoas idosas e aquelas com sistema imunológico comprometido. A condição provoca sintomas como dor intensa, febre, erupções cutâneas e bolhas, podendo resultar em complicações severas, como a neuralgia pós-herpética (NPH), que se caracteriza por dor crônica persistente mesmo após a resolução das lesões.

Entre os anos de 2008 e 2024, o SUS contabilizou mais de 85 mil atendimentos ambulatoriais e cerca de 30 mil internações decorrentes do herpes-zóster no Brasil. De 2007 a 2023, foram registradas 1.567 mortes associadas à doença, sendo que a maioria dos óbitos ocorreu em indivíduos com idade igual ou superior a 50 anos.

No tratamento oferecido pelo sistema público, são utilizados medicamentos para aliviar os sintomas e, em casos mais graves, antivirais como aciclovir. Para tratar a NPH, são disponibilizados fármacos como amitriptilina, carbamazepina e lidocaína em gel.

A proposta de incorporar a vacina recombinante adjuvada ao SUS partiu do Departamento do Programa Nacional de Imunizações, vinculado à Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente do Ministério da Saúde.

A vacina contém uma proteína do vírus varicela-zóster (antígeno gE) combinada com um adjuvante (AS01B), que potencializa o reconhecimento e combate do sistema imunológico ao vírus. A administração é feita via intramuscular em duas doses de 0,5 mL com um intervalo de dois meses entre elas.

A Conitec avaliou tanto a segurança quanto a eficácia do imunizante. Estudos demonstraram uma eficácia superior a 80% na prevenção do herpes-zóster e da NPH. Os eventos adversos mais frequentemente reportados incluem dor no local da aplicação, cansaço, dores musculares, cefaleia e febre, geralmente classificados como leves a moderados. A vacina também foi considerada segura para uso.

No entanto, o elevado custo representa um desafio significativo: estima-se que o investimento total seria de R$ 5,2 bilhões ao longo de cinco anos. Para a Conitec, as conclusões indicam que os benefícios proporcionados pela vacina não justificam suficientemente seu custo para o Sistema Único de Saúde.

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