Debate ocorre em meio à retomada das discussões no Congresso sobre a comercialização de medicamentos à base de cannabis
Gabriela Nogueira Publicado em 11/11/2025, às 14h55
Especialistas em saúde mental e farmacologia se reúnem segunda-feira (17) para discutir avanços, mitos e desafios sobre o uso terapêutico da planta.
A próxima edição da série “Conversas Difíceis” vai colocar em pauta um dos temas mais debatidos da atualidade: o uso medicinal da cannabis. O encontro, gratuito e aberto ao público, acontece no espaço CIVI-CO, em Pinheiros, São Paulo, no dia 17 de novembro, reunindo profissionais de destaque nas áreas da saúde e pesquisa científica.
Entre os convidados estão o médico psiquiatra Wilson Lessa, a farmacêutica Margarete Akemi Kishi e a psicóloga Maria de Fátima Padin, que trarão olhares complementares sobre os benefícios, limites e controvérsias em torno da cannabis no tratamento de diferentes condições de saúde. A mediação será feita pelo antropólogo Juliano Spyer, conhecido por seus estudos sobre religião e comportamento social.
A proposta do debate é confrontar evidências científicas e percepções sociais, estimulando uma reflexão informada sobre o potencial terapêutico da planta, ainda cercado de dúvidas e preconceitos. As discussões devem abordar desde o uso clínico em casos de epilepsia, esclerose múltipla e dores crônicas até os desafios regulatórios que ainda impedem o acesso amplo a medicamentos à base de cannabis no Brasil.
O tema ganha relevância em um momento em que o Congresso Nacional retoma o debate sobre o projeto de lei que propõe regulamentar a produção e comercialização de produtos derivados da planta. A proposta, que havia sido aprovada em comissão em 2021, volta agora à pauta do plenário, reacendendo discussões sobre segurança, controle e política pública.
Promovida pelo Instituto Humanitas360 em parceria com o CIVI-CO, a série “Conversas Difíceis” tem como objetivo fomentar o diálogo aberto sobre assuntos sensíveis e socialmente relevantes. Após as falas dos especialistas, o público poderá participar com perguntas e comentários. As edições anteriores estão disponíveis no canal do Instituto no YouTube.
Mais do que um debate sobre uma substância, o evento promete ser uma conversa sobre acesso à saúde, ciência e direitos humanos — temas que, quando reunidos, moldam o futuro da medicina no país.