Poliomielite

Brasil muda esquema vacinal contra poliomielite em 2025; vacina injetável substitui gotinhas

Em 2025, o Brasil troca a vacina oral contra poliomielite pela injetável, visando aumentar a eficácia e cobertura vacinal, com quatro doses no total.

Brasil muda esquema vacinal contra poliomielite em 2025; vacina injetável substitui gotinhas - Imagem: Reprodução | NeuroLife

Marina Milani Publicado em 06/01/2025, às 19h42

Em 2025, o Brasil implementará um novo esquema vacinal para a prevenção da poliomielite, doença também conhecida como paralisia infantil. A partir desse ano, as crianças com 2, 4 e 6 meses de idade receberão exclusivamente a vacina inativada poliomielite (VIP), enquanto uma dose de reforço será administrada aos 15 meses. As tradicionais gotinhas, que anteriormente faziam parte do calendário vacinal, foram oficialmente eliminadas em novembro do ano passado.

A alteração na estratégia vacinal foi promovida pelo Ministério da Saúde e fundamenta-se em evidências científicas e recomendações internacionais. A vacina oral contra a poliomielite (VOP), que utiliza um vírus atenuado, pode resultar em casos da doença quando administrada em contextos de baixa higiene. Assim, a adoção da vacina injetável é respaldada pela Câmara Técnica de Assessoramento em Imunização e endossada pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Atualmente, a VOP é recomendada apenas para o controle de surtos, como evidenciado recentemente na Faixa de Gaza, onde foi registrado o primeiro caso de pólio em 25 anos — uma tragédia que afetou um bebê de 10 meses que não havia recebido nenhuma das doses previstas.

Em 2023, o Ministério da Saúde anunciou a substituição da dose oral pela injetável como reforço aos 15 meses. Até então, essa segunda dose era administrada na forma oral. O esquema vacinal agora contempla quatro doses ao longo dos primeiros anos de vida e, segundo as autoridades sanitárias, a segunda dose de reforço que era aplicada aos 4 anos não é mais necessária, uma vez que a proteção conferida pelas quatro doses já é considerada adequada.

Esta atualização do esquema vacinal levou em consideração fatores epidemiológicos e evidências sobre a eficácia das vacinas, além das diretrizes internacionais pertinentes. Desde 1989, o Brasil não registrava casos de poliomielite; no entanto, as taxas de cobertura vacinal têm apresentado uma queda preocupante nos últimos anos. Em 2022, por exemplo, a cobertura ficou em apenas 77,19%, um número aquém da meta ideal de 95%.

O Ministério da Saúde ressalta a importância da vacinação como uma estratégia eficaz para garantir a saúde pública e fortalecer a resistência social contra doenças infecciosas. "A imunização não apenas previne doenças graves, mas também ajuda a conter a disseminação de agentes patogênicos na comunidade", afirmam os representantes do órgão.

O calendário nacional de vacinação abrange atualmente 19 vacinas que protegem os cidadãos ao longo de todas as fases da vida, desde o nascimento até a terceira idade. Além da poliomielite, outras doenças que podem ser prevenidas por meio da vacinação incluem sarampo, rubéola, tétano e coqueluche. O Programa Nacional de Imunizações (PNI) é responsável por coordenar as campanhas anuais com o objetivo de atingir altas coberturas vacinais e garantir tanto a proteção individual quanto coletiva.

OMS poliomielite Ministério da Saúde

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