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Alguns profissionais precisam ter excelência na arte de falar em público

Entenda como a habilidade de falar em público se tornou crucial para executivos e profissionais em diversas áreas. - Imagem: Reprodução | Freepik

Reinaldo Polito Publicado em 30/03/2025, às 08h28

Todo mundo precisa falar bem. Houve época em que a oratória era exigida em poucas atividades. Dá para contar nos dedos: advogados, políticos, pregadores. E começa a ficar difícil encontrar outros exemplos. São as heranças distorcidas que ficaram de uma época em que somente pessoas pertencentes a essas profissões falavam em público. Com o poder nas mãos dos militares, a situação chegou a ser ainda mais grave. Foi um período de reclusão também para a vida empresarial.

Walter Nori, um dos mais renomados profissionais na área de comunicação corporativa, conta experiências incríveis do tempo em que cuidava da Comunicação Social da Rhodia. No livro de sua autoria Portas abertas, Nori revela que, no tempo dos militares, as empresas viviam enclausuradas nos limites das suas próprias paredes.

Abertura política e econômica
Com a redemocratização do país, houve a abertura política e, consequentemente, mais liberdade econômica. Por isso, as organizações tiveram que pôr a cabeça para fora de suas fronteiras.

De acordo com Nori, a falta de informação dos executivos era tamanha que alguns, ao serem indagados sobre como poderiam melhorar o relacionamento com a imprensa, diziam que bastaria acertar o preço com um jornalista e o problema estaria resolvido. Foi preciso conversar bastante para orientá-los a agir de maneira profissional.

O executivo deve falar bem
De lá para cá, o cenário mudou completamente. A oratória se tornou competência fundamental para quem ocupa cargos gerenciais. Não importa se o profissional gosta ou não de falar em público, terá de aprender e se aprimorar. Algumas organizações nos contrataram para treinar mais de mil colaboradores no uso da palavra em público. Assim que eram promovidos ao cargo de especialista ou gerente, naturalmente eram inscritos para o treinamento.

Hoje é raro encontrar executivos que não tenham ao menos um conhecimento básico de como se expressar diante de grupos ou das câmeras. Dependendo do cargo, não basta apenas saber falar — o profissional deverá ter excelência no uso da palavra em público. Não se admite, por exemplo, o VP de uma grande empresa recusar convites para entrevistas ou fazer palestras nos eventos da companhia porque se sente desconfortável diante do microfone.

Alta expectativa
A expectativa é a de que falem e representem de forma bastante positiva a corporação. Não é difícil deduzir que quando alguém desse nível hierárquico se apresenta é como se a própria organização estivesse ali se comunicando. Se ele for mal, além de comprometer a própria imagem, poderá prejudicar também a reputação da empresa que defende.

Embora todos os profissionais devam ter essa habilidade de se comunicar, há certas profissões que exigem uma competência oratória ainda maior. São os advogados, psicólogos, psiquiatras, jornalistas e professores. No imaginário popular, esses profissionais são bons de microfone.

O advogado é visto como bom orador
O advogado, por exemplo, tem fama de quem fala bem. As pessoas estão acostumadas a vê-los se apresentando com eloquência nos tribunais do júri, especialmente nos filmes que mostram julgamentos. Ocorre que a maioria passa pela vida acadêmica sem nenhuma orientação consistente de como falar em público.

Saem da faculdade com a imagem de quem fala bem sem ter se preparado para enfrentar a tribuna. E como sofrem por isso! Quando chegam na frente de uma plateia, a expectativa é a de que sejam muito bons nessa arte. Se a comunicação for deficiente, a dedução é a de que talvez também não sejam bons advogados.

Deve ter oratória exemplar
O mesmo ocorre com psicólogos e psiquiatras. Como esses profissionais podem divulgar seu trabalho? Fazendo palestras, concedendo entrevistas, participando de workshops. Como também não receberam orientação para falar em público, alguns se saem mal.

Quem estiver assistindo, ao ver o profissional inseguro, gaguejante, pode pensar: se ele não conseguiu resolver seus próprios problemas, como teria condições para me ajudar? O mesmo se espera de jornalistas e professores.

Portanto, todos os profissionais devem falar bem em público, mas há algumas atividades que requerem ainda mais competência. Aprimorar a oratória exige trabalho e estudo, mas é bastante simples. Há bons livros e ótimos cursos que ensinam a enfrentar o microfone com segurança e desenvoltura. Vale a pena investir nesse aprendizado.

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