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A CIA teria localizado vida em Marte

A CIA teria localizado vida em Marte - Imagem: Divulgação/Reinaldo Polito

Reinaldo Polito Publicado em 29/12/2024, às 11h53

Quando vi a notícia, quase caí de costas. A chamada era bombástica: “Documento da CIA vem chamando a atenção na internet”. Quem resistiria? Curioso como sou, cliquei correndo. Como era de se esperar, puro sensacionalismo.

Para começo de conversa, o fato tem mais de 40 anos. A tal “Exploração de Marte, de 22 de maio de 1984” relatava um suposto experimento em que a CIA teria usado projeção astral para transportar um sujeito ao planeta, um milhão de anos atrás. Isso mesmo: projeção astral! Çei! O texto estava repleto de “teria” e “seria” – um puro padrão especulativo. No fim, a conclusão previsível: falta de evidências. Só conversa fiada para boi dormir.

Mais ciências e menos fé

Mesmo com cientistas jurando de pés juntos que pode haver vida fora da Terra, acho que é preciso de mais ciência e menos para levar esse assunto a sério. Ainda assim, a ideia serve como boa ficção. Aliás, já brinquei com isso. Anos atrás, inventei uma história sobre extraterrestres que até hoje me diverte. Quer saber como foi? Vamos lá.

Em 2017, quase mordi a língua ao ler uma notícia que parecia desafiar minha convicção sobre a inexistência de ETs. Segundo a Reuters, a China havia construído o maior radiotelescópio do mundo, com uma abertura de 500 metros e custo de US$ 180 milhões. O projeto buscava respostas para a origem do universo e – acredite – tentaria encontrar alienígenas! Li duas vezes para ter certeza de que não estava entrando em um primeiro de abril.

Muita grana para ser só besteira

Desconfiado como sou, fiquei intrigado. Afinal, quem gasta essa grana toda para brincar de esconde-esconde cósmico? Se eles estavam tão empenhados, talvez eu devesse reconsiderar. Mas, no fundo, só me fez lembrar de Roberval, o protagonista da minha história, e seu amigo Borges, o ufologista apaixonado.

Roberval era um cético clássico. Sempre que alguém falava de ETs, ele fingia atenção, mas ria por dentro. Borges, por outro lado, era obcecado pelo tema. Passava horas consumindo teorias da conspiração e narrando suas descobertas para Roberval, que ouvia em silêncio, entre o tédio e a resignação.

Borges era apaixonado por extraterrestres

Um dia, Borges apareceu eufórico com uma intimação:
– Roberval, vamos nos encontrar com marcianos! Três naves chegam amanhã. Está tudo combinado. Mal consigo falar de tão nervoso.

Roberval, com sua ironia habitual, respondeu com uma pergunta:
– Onde o chefe da sua galáxia aprendeu português, Borges?

– Ah, Roberval, você nunca presta atenção. Lourival, nosso líder, é um iluminado. Passou anos visitando galáxias. Entende a língua deles como ninguém. Amanhã você vai ver.

O frio de Varginha era de amargar

Na noite seguinte, Roberval foi arrastado para a beira da estrada em Varginha, acompanhado por outras 45 almas esperançosas. A cada barulhinho, o grupo se agitava:

– Escuta! Acho que são eles!

O frio era de rachar e Roberval estava impaciente. Mas, por volta das cinco da manhã, um som mais forte interrompeu o silêncio. Ele não acreditou no que viu: uma nave gigantesca, reluzente, pousava suavemente numa clareira. Lourival correu para cumprimentar o ET com grunhidos dignos de um filme de ficção científica.

Roberval, sempre cético, tentava racionalizar. “É uma pegadinha elaborada ou um efeito especial caro”. Lourival, no entanto, estava em êxtase. Após longos minutos de “conversa”, ele traduziu a mensagem do visitante:
– Roberval, eles estão observando você há anos. Seu comportamento é exemplar. Vieram conhecê-lo antes de sua última viagem. Você é o ídolo deles!

O tempo do ET estava acabando

Roberval ficou petrificado. Era inacreditável. Para alguém que zombava dessas histórias, aquilo parecia uma peça do destino. Seria mesmo verdade? Antes de ir embora, o visitante deixou mais uma mensagem:

– Meu tempo está acabando. Encontrei em você a inspiração para encerrar minha missão com paz no coração.

Quando a nave partiu, Roberval percebeu que agora era um ídolo entre os ufologistas. Borges, com lágrimas nos olhos, sorria como quem dizia: “Eu sempre soube.”

É uma história sem fim

Bem, quem sabe o telescópio chinês consiga localizar algum parente do Eráklito, o ET. Se isso acontecer, basta chamar Lourival. Ele já é quasefluente.

Aliás, enquanto alguns gastam milhões no maior radiotelescópio do mundo ou desenterram relatórios antigos da CIA, o que realmente chama a atenção são as iniciativas que buscam respostas mais pé no chão. Recentemente, um rover da NASA coletou amostras de Marte que já estão a caminho da Terra, prometendo revelar segredos concretos sobre o planeta.

Se Eráklito deixou rastros, talvez estejam nas mãos dos cientistas e não no âmbito das estrelas. E Roberval? Bem, ele ainda guarda o capote da vigília. Afinal, nunca se sabe quando será a próxima vez que precisará encarar o frio da madrugada – ou um novo encontro com o desconhecido.

Reinaldo Polito é Mestre em Ciências da Comunicação e professor de Oratória nos cursos de pós-graduação em Marketing Político, Gestão de Marketing e Comunicação, Gestão Corporativa e MBA em Gestão de Marketing e Comunicação na ECA-USP. Escreveu 37 livros, com mais de 1,5 milhão de exemplares vendidos em 39 países. Siga no Instagram: @politopelo facebook.com/reinaldopolito pergunte no https://reinaldopolito.com.br/home/

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