Cobrança automática em rodovias é postergada após acordo com concessionária; governo deverá pagar compensação milionária pelo adiamento
Redação Publicado em 13/04/2026, às 10h16
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, decidiu adiar a implantação do sistema de pedágio eletrônico free flow em oito rodovias paulistas. Prevista inicialmente para setembro de 2026, a cobrança automática foi transferida para janeiro de 2027 — já no início do próximo mandato estadual.
A mudança ocorre após um termo aditivo firmado entre o governo paulista e a concessionária responsável pelo trecho, ligada ao grupo CCR, atualmente sob a marca Motiva. O contrato original previa a instalação dos pórticos e o início da cobrança ainda neste ano, após a retirada das praças físicas de pedágio.
Com o adiamento, o governo se comprometeu a compensar financeiramente a concessionária. Na prática, o Estado pagará uma espécie de “indenização” equivalente ao valor que seria arrecadado com as tarifas no período — como se os pedágios já estivessem em funcionamento, mas sem custo direto ao motorista.
Os equipamentos já estão instalados em trechos como a Rodovia Raposo Tavares, onde atualmente operam apenas para monitoramento de tráfego, sem cobrança.
Segundo a Secretaria de Parcerias e Investimentos, o adiamento tem como objetivo ampliar a comunicação com os usuários e garantir maior compreensão do novo modelo, que dispensa cancelas e cobra automaticamente por trecho percorrido.
Apesar da justificativa técnica, a decisão ocorre em um ano eleitoral e em meio a críticas de prefeitos e lideranças regionais. O sistema free flow é visto por parte da população como impopular, especialmente por ampliar o número de pontos de cobrança nas rodovias.
O modelo também tem gerado disputas judiciais. Em algumas cidades, como Mogi das Cruzes, houve decisões liminares suspendendo a cobrança para moradores locais em determinados trechos.
Dados levantados pela oposição indicam a previsão de mais de 100 novos pórticos em todo o estado, o que intensificou o debate político sobre mobilidade, custos ao cidadão e transparência nos contratos de concessão.
Especialistas avaliam que o adiamento pode ter impacto direto na percepção pública sobre o tema, já que o início da cobrança ficará para a próxima gestão — afastando o desgaste imediato durante o período eleitoral.
O valor da compensação que será pago pelo governo ainda não foi divulgado oficialmente e deve ser detalhado após análise técnica da agência reguladora estadual.