Ministro Alexandre de Moraes autoriza acareações entre Braga Netto e Mauro Cid em investigação sobre tentativa de golpe
Gabriela Thier Publicado em 17/06/2025, às 17h31
Na última terça-feira (17), o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), atendeu ao pedido da defesa do general Walter Souza Braga Netto e autorizou a realização de uma acareação entre ele e Mauro Cid, ex-ajudante de ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Além disso, Moraes também acatou um pedido semelhante da defesa de Anderson Torres, permitindo a acareação entre o ex-ministro da Justiça e o general Marco Antônio Freire Gomes, que liderou o Exército em 2022 e é testemunha chave no processo que investiga uma suposta tentativa de golpe.
As acareações estão agendadas para ocorrer na manhã da próxima terça-feira, 24 de outubro. O encontro entre Braga Netto e Mauro Cid está previsto para às 10h, enquanto a acareação entre Torres e Freire Gomes será realizada às 11h.
Braga Netto, atualmente detido em uma instalação militar no Rio de Janeiro, deverá comparecer pessoalmente ao STF. Para isso, ele utilizará uma tornozeleira eletrônica e viajará de sua cidade para Brasília na segunda-feira (23).
Após os depoimentos, o general terá que retornar à prisão no Rio de Janeiro e não poderá se comunicar com ninguém além de seu advogado durante esse período.
Após a decisão do ministro Moraes, a defesa de Braga Netto solicitou o adiamento da acareação para 27 de junho, alegando que um dos advogados estaria fora durante a data marcada. Até o momento, Moraes não se manifestou sobre essa solicitação.
Os pedidos para as acareações foram formulados pelas defesas de Braga Netto e Anderson Torres, ambos réus no caso que investiga a tentativa de golpe e considerados parte do "núcleo crucial" da organização envolvida.
Os advogados buscam esclarecer pontos que acreditam ser contraditórios nas declarações feitas ao longo do processo.
'Punhal Verde Amarelo'
No documento apresentado ao STF, os advogados do general mencionam "contradições insanáveis" nas versões até agora divulgadas e solicitam urgência na realização da acareação entre os dois envolvidos. A defesa argumenta que o objetivo desse confronto é esclarecer divergências relacionadas ao plano denominado "Punhal Verde e Amarelo", que supostamente contemplava desde monitoramento até assassinatos de autoridades.
Os advogados pretendem confrontar a versão de Cid, segundo a qual Braga Netto teria supostamente financiado as operações deste plano. No caso de Anderson Torres, a defesa argumenta que é necessário verificar as afirmações do general Freire Gomes sobre a suposta participação do ex-ministro em reuniões com teor golpista.