Diretor de Fiscalização afirma à PF que ativos repassados têm baixa qualidade e podem exigir novo provisionamento
Letícia Sales Publicado em 29/01/2026, às 10h52
As perdas do Banco de Brasília (BRB) decorrentes de operações envolvendo o Banco Master podem alcançar até R$ 5 bilhões. A estimativa foi apresentada pelo diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino, em depoimento prestado à Polícia Federal no fim do ano passado, no âmbito das investigações sobre a liquidação extrajudicial da instituição comandada pelo banqueiro Daniel Vorcaro.
Segundo o Ministério Público Federal e a PF, o Banco Master teria adquirido carteiras de crédito da Consultoria Tirreno sem efetuar o pagamento correspondente. Posteriormente, esses mesmos créditos teriam sido revendidos ao BRB, operação que resultou na transferência imediata de R$ 12,2 bilhões para o Master.
Diante do risco financeiro, o Banco Central já determinou que o BRB realize um provisionamento de R$ 2,6 bilhões, medida que obriga a instituição a separar recursos para cobrir possíveis prejuízos. No entanto, de acordo com Ailton de Aquino, esse valor pode não ser suficiente.
“Em virtude da qualidade dos ativos que o BRB conseguiu buscar no Master, a gente também está ponderando que faltam mais, tem que ser feita provisão de mais R$ 2,2 bilhões”, afirmou o diretor em seu depoimento, ao indicar que o total reservado para cobrir perdas pode se aproximar de R$ 5 bilhões.
O processo tramita sob sigilo, mas o conteúdo da oitiva foi confirmado pela CNN Brasil. No depoimento, Aquino também declarou que não sofreu qualquer tipo de pressão, seja a favor ou contra, no processo que culminou na liquidação extrajudicial do Banco Master, decretada pelo Banco Central no ano passado.
O caso segue em apuração pelas autoridades e integra um conjunto mais amplo de investigações que envolvem o Banco Central, o Ministério Público Federal e a Polícia Federal, diante dos impactos financeiros e institucionais gerados pela crise do Banco Master.