Caso Henry Borel

Prefeitura do Rio demite Monique Medeiros após 5 anos do caso Henry Borel

Ré pela morte do filho perde cargo de professora após decisão em processo disciplinar; caso volta a ganhar repercussão com soltura recente e novo pedido de prisão

Monique Medeiros, ré pela morte de Henry Borel, foi demitida da rede municipal do Rio - Imagem: Reprodução

Ana Beatriz Publicado em 25/03/2026, às 14h43

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A Prefeitura do Rio de Janeiro decidiu demitir a professora Monique Medeiros, ré pela morte do menino Henry Borel, encerrando um processo administrativo que se arrastava desde o crime ocorrido há cinco anos. A decisão foi oficializada nesta quarta-feira (25) pelo prefeito Eduardo Cavaliere, e faz com que Monique deixe definitivamente o quadro de servidores da rede municipal de ensino.

A demissão foi resultado de um Processo Administrativo Disciplinar (PAD), conduzido pela Secretaria Municipal de Educação, que avaliou a conduta da servidora após o crime. Com a conclusão do procedimento, ficou estabelecida a penalidade máxima prevista no serviço público, o que implica na perda do cargo, da matrícula e no registro negativo em seu histórico funcional.

Henry Borel morreu em 2021, aos 4 anos, em um apartamento na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio de Janeiro, com sinais de agressão. O caso gerou grande comoção nacional e segue em tramitação na Justiça, com Monique Medeiros e o ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, conhecido como Jairinho, como réus.

Demissão após anos de controvérsia

Desde a morte do filho, Monique continuava vinculada ao serviço público e recebendo salários, mesmo diante da gravidade do caso e das investigações em curso. Ao longo desse período, houve idas e vindas administrativas, incluindo afastamentos e discussões jurídicas sobre sua permanência no cargo.

O PAD concluiu que houve falta grave suficiente para justificar a demissão, que, diferentemente da exoneração, é uma sanção disciplinar aplicada após apuração formal e que impede o retorno ao serviço público em determinadas condições.

Especialistas destacam que a demissão nesse contexto representa não apenas uma decisão administrativa, mas também um posicionamento institucional diante de um caso de alta repercussão.

Soltura recente e novo pedido de prisão

A decisão da prefeitura ocorre poucos dias após a soltura de Monique Medeiros do Complexo de Gericinó, onde ela estava presa. A liberdade foi concedida por decisão judicial que entendeu haver “constrangimento ilegal” na manutenção da prisão preventiva, especialmente após o adiamento do júri popular.

No entanto, a situação pode mudar novamente. O Ministério Público do Rio de Janeiro apresentou recurso pedindo a revogação da decisão e o retorno imediato de Monique ao sistema prisional. O pedido está em análise pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro.

Júri adiado e estratégia da defesa

O julgamento do caso Henry Borel estava previsto para ocorrer recentemente, mas acabou sendo adiado para o dia 25 de maio. A interrupção ocorreu após uma movimentação da defesa de Jairinho.

Os advogados do ex-vereador deixaram o plenário depois que a juíza responsável pelo caso, Elizabeth Louro, negou um pedido de adiamento. Sem a presença da defesa, a sessão não pôde continuar, conforme determina a legislação, e precisou ser remarcada.

O episódio gerou críticas e ampliou o debate sobre estratégias jurídicas em casos de grande repercussão.

Caso segue com forte repercussão

Cinco anos após a morte de Henry Borel, o caso continua mobilizando a opinião pública e gerando desdobramentos judiciais e administrativos.

A demissão de Monique Medeiros representa um novo capítulo na trajetória do caso, que ainda aguarda julgamento definitivo no Tribunal do Júri.

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