Morte sob suspeita

Polícia pede prisão de tenente-coronel após morte de PM em São Paulo

Laudo aponta indícios de agressão antes do disparo que matou Gisele Alves Santana; caso é investigado como morte suspeita

Imagens de câmeras mostram policiais limpando o local da morte, aumentando a complexidade do caso sob apuração - Imagem: Reprodução/Instagram

Letícia Sales Publicado em 17/03/2026, às 14h17

A Polícia Civil de São Paulo solicitou à Justiça, nesta terça-feira (17), a prisão do tenente-coronel da PM Geraldo Leite Rosa Neto, marido da policial militar Gisele Alves Santana, encontrada morta com um tiro na cabeça dentro do apartamento onde vivia, no Brás, região central da capital paulista.

O pedido de prisão teve aval do Ministério Público de São Paulo e, até a última atualização, aguardava decisão do Judiciário. O caso, inicialmente tratado como suicídio, passou a ser investigado como morte suspeita após questionamentos da família da vítima.

Um novo laudo necroscópico, realizado após a exumação do corpo no Instituto Médico-Legal, apontou lesões no rosto e no pescoço da policial. Segundo os peritos, há indícios de que Gisele tenha desmaiado antes de ser baleada, sem apresentar sinais de defesa. O documento descreve marcas “contundentes” provocadas por pressão e arranhões compatíveis com unhas.

Outro ponto que levanta dúvidas é a cronologia dos fatos. Uma vizinha relatou ter ouvido um disparo por volta das 7h28 — cerca de 30 minutos antes da ligação feita por Geraldo ao serviço de emergência. Às 7h57, ele acionou a polícia e afirmou: “Minha esposa é policial feminina. Ela se matou com um tiro na cabeça. Manda o resgate e uma viatura aqui agora, por favor”.

Minutos depois, às 8h05, em ligação ao Corpo de Bombeiros, disse que a vítima ainda respirava. As equipes chegaram ao local às 8h13.

A cena encontrada também gerou estranhamento entre os socorristas. Um dos profissionais relatou que a arma estava “bem encaixada” na mão da vítima, algo incomum em casos de suicídio. Ele decidiu fotografar a posição. Além disso, o sangue já estava coagulado quando a equipe chegou, e não havia cartucho de bala no local.

O comportamento do tenente-coronel também chamou a atenção. Ele afirmou que estava no banho no momento do disparo, mas foi descrito por socorristas como estando completamente seco, sem sinais de que tivesse acabado de sair do chuveiro. Um sargento com 15 anos de experiência relatou que o encontrou “de bermuda, sem camisa e inteiramente seco”.

Outro fator observado foi a ausência de desespero. Segundo os bombeiros, Geraldo falava de forma calma, questionava o atendimento e não demonstrava emoção. Também não apresentava marcas de sangue, o que indicaria que não teria tentado prestar socorro à esposa.

As investigações ainda apuram a ligação feita por Geraldo ao desembargador Marco Antônio Pinheiro Machado Cogan, que esteve no local poucas horas após o ocorrido. A presença do magistrado é questionada pela família da vítima.

Além disso, imagens de câmeras de segurança mostram que policiais estiveram no apartamento cerca de 10 horas após a morte para realizar a limpeza do imóvel. Elas permaneceram no local por aproximadamente 50 minutos e deverão prestar depoimento.

Em nota, a defesa de Geraldo Leite Rosa Neto afirmou que ele não é investigado, suspeito ou indiciado até o momento e que tem colaborado com as autoridades. Já o desembargador informou que foi ao local como amigo e que prestará esclarecimentos à polícia.

O caso segue sob investigação da Polícia Civil de São Paulo e da Corregedoria da Polícia Militar.

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