Exames após exumação indicam que policial pode ter desmaiado antes do tiro; caso é investigado como morte suspeita

Lívia Gennari Publicado em 10/03/2026, às 10h42
O laudo necroscópico realizado após a exumação do corpo da policial militar Gisele Alves Santana, de 32 anos, revelou a presença de lesões no rosto e no pescoço da vítima e indicou a possibilidade de que ela tenha perdido a consciência antes de ser atingida por um disparo na cabeça. De acordo com os peritos responsáveis pela análise, não foram identificados sinais de defesa, o que reforça a hipótese de que a soldado estivesse incapacitada de reagir no momento do tiro.
Gisele foi encontrada morta em 18 de fevereiro no apartamento onde vivia com o marido, o tenente-coronel da Polícia Militar Geraldo Leite Rosa Neto, de 53 anos, no bairro do Brás, região central de São Paulo. O oficial estava no imóvel e foi quem acionou o socorro.
Inicialmente registrado como suicídio, o caso passou a ser tratado como morte suspeita após familiares da policial contestarem a versão apresentada. Diante das dúvidas, o corpo foi exumado e submetido a novos exames no último sábado (7), no Instituto Médico-Legal (IML) Central da capital, incluindo uma tomografia.
Depoimentos levantam novas suspeitas
Além do resultado pericial, novos depoimentos trouxeram elementos que também passaram a ser analisados pela Polícia Civil. Uma inspetora do condomínio afirmou que três policiais militares, sendo duas soldados e uma cabo, teriam entrado no apartamento poucas horas após o disparo e realizado uma limpeza no local, que ainda apresentava manchas de sangue decorrentes do atendimento de emergência feito pela manhã.
A suposta intervenção no imóvel levanta questionamentos entre investigadores sobre a possível alteração da cena e eventual comprometimento de vestígios importantes para a perícia.
Em depoimento à polícia, o tenente-coronel relatou que estava no banho quando ouviu o disparo. Segundo ele, o casal havia discutido pouco antes do ocorrido. Após escutar o barulho, afirmou ter saído do banheiro e encontrado a esposa ferida. A versão, no entanto, foi colocada em dúvida por integrantes da equipe de resgate que atenderam a ocorrência. De acordo com os primeiros bombeiros que chegaram ao apartamento, o oficial estava seco e não havia sinais de água no chão do imóvel.
O comportamento do marido também chamou a atenção dos socorristas. Um sargento do Corpo de Bombeiros relatou que não percebeu sinais de desespero ou comoção por parte do tenente-coronel. Outro bombeiro afirmou que ele conversava de forma tranquila ao telefone, e pedia que a vítima fosse retirada rapidamente do local. Os profissionais também observaram que o oficial não apresentava manchas de sangue no corpo ou nas roupas, o que indicaria que ele não teria tentado realizar procedimentos de primeiros socorros na esposa.
Em nota divulgada antes da divulgação do novo laudo, a defesa do tenente-coronel afirmou que ele não é investigado, suspeito ou indiciado no caso até o momento. Segundo os advogados, o oficial tem colaborado com as autoridades desde o início e permanece à disposição para contribuir com o esclarecimento dos fatos.
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