Órgão onsidera que proposta apresentada pela defesa do ex-banqueiro não agrega novos elementos às investigações e não contempla compromisso de ressarcimento aos cofres públicos
Redação Publicado em 15/06/2026, às 20h09
A Procuradoria-Geral da República (PGR) informou ao Supremo Tribunal Federal (STF), nesta segunda-feira (15), que não aceitará a segunda proposta de acordo de colaboração premiada apresentada pela defesa do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. O posicionamento acompanha o entendimento já manifestado pela Polícia Federal (PF), que havia recusado a nova oferta na última semana.
De acordo com a manifestação encaminhada à Corte, os procuradores concluíram que o material apresentado pela defesa não trouxe informações relevantes capazes de ampliar ou alterar significativamente o conteúdo já reunido ao longo das investigações. A avaliação também aponta que alguns dos argumentos apresentados divergem de elementos obtidos pelos investigadores durante a apuração.
Outro fator considerado determinante para a rejeição foi a ausência de um compromisso concreto de reparação financeira. Durante as negociações, a PGR defendia que Vorcaro demonstrasse disposição para devolver aos cofres públicos valores expressivos, estimados em pelo menos R$ 60 bilhões, condição considerada fundamental para o avanço de um eventual acordo.
Esta foi a primeira manifestação formal da Procuradoria sobre a proposta de colaboração do ex-banqueiro. Mesmo após a recusa inicial da Polícia Federal, representantes do Ministério Público continuaram dialogando com a defesa na tentativa de avaliar possíveis complementações ao pedido.
Preso em Brasília, Vorcaro é investigado sob a acusação de liderar um esquema de fraudes financeiras que, segundo estimativas da Polícia Federal, pode ter causado prejuízos de até R$ 12 bilhões. Após a nova negativa à delação, a PF solicitou que ele seja retirado das dependências da Superintendência da corporação na capital federal e transferido novamente para o Complexo Penitenciário da Papuda.
O pedido de transferência será analisado pelo ministro do STF, André Mendonça, responsável pela relatoria do caso. Antes de qualquer decisão, a Procuradoria também deverá emitir parecer sobre a solicitação.
Pelas regras que envolvem acordos de colaboração premiada, cabe à PGR e à Polícia Federal avaliar a consistência das informações prestadas e definir, em conjunto, os parâmetros para eventual restituição de recursos. A homologação do acordo, no entanto, depende da análise do relator no Supremo, que tem a palavra final sobre sua validade jurídica.