Delação contestada

PF vê delação de Daniel Vorcaro como frágil e avalia acordo como inviável nos moldes atuais

nterlocutores de André Mendonça e integrantes da Procuradoria-Geral da República criticam proposta apresentada pelo empresário

A resistência no STF pode inviabilizar a proposta de delação, que é vista como insuficiente e sem mudanças relevantes pela PGR - Imagem: Reprodução/Gustavo Moreno/STF

Letícia Sales Publicado em 21/05/2026, às 09h06

A proposta de delação premiada apresentada pelo empresário Daniel Vorcaro enfrenta forte resistência dentro da Polícia Federal e também no entorno do ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal.

Segundo interlocutores ligados ao magistrado, os relatos obtidos até agora pela PF são considerados “muito ruins” e não sustentariam um acordo de colaboração nos termos atuais. Nos bastidores, integrantes da investigação classificam como um possível “vexame” para a Procuradoria-Geral da República aceitar a proposta sem mudanças significativas.

Investigadores da Polícia Federal afirmam que conversaram diretamente com o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e defenderam que não houvesse prazo indefinido para que Vorcaro complementasse as informações apresentadas.

A avaliação dentro da corporação é de que a delação “está acabada” nos moldes atuais. Ainda assim, investigadores admitem que a posição poderá ser revista caso o empresário decida apresentar novos elementos ou aprofundar informações futuramente.

Resistência no STF

No entorno de André Mendonça, a leitura é de que a proposta reforça suspeitas já levantadas por investigadores sobre uma possível tentativa de esvaziar o papel do ministro na relatoria do caso e deslocar a discussão para outros setores do Supremo.

Segundo fontes ligadas ao gabinete, dificilmente haveria parecer favorável à proposta caso a PGR decida manter o acordo sem alterações relevantes. A avaliação é que Mendonça está “muito alinhado aos fatos” levantados pela Polícia Federal.

Falta de admissão de crimes pesa contra acordo

Um dos principais pontos de crítica é o fato de Vorcaro não admitir possíveis crimes próprios nas versões apresentadas até agora. Para investigadores, essa postura compromete a credibilidade da colaboração e dificulta qualquer avanço sobre eventuais ilícitos cometidos por terceiros.

Nos bastidores, integrantes da PF afirmam que validar um acordo nessas condições seria “um atestado de conivência” com a narrativa apresentada pelo empresário, que estaria marcada por um “estado de negação”.

Dentro da Procuradoria-Geral da República, a avaliação também é de que a proposta inicial é insuficiente. Fontes ligadas ao órgão afirmam que o material entregue até agora “blinda aliados, protege terceiros e não traz admissão de responsabilidade por parte do próprio Vorcaro”.

Caso queira retomar as negociações, o empresário deverá apresentar mudanças consideradas substanciais pela investigação.

acordo delação SUSPEITAS CRIMES MUDANÇAS PROPOSTA SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL PREMIADA NEGOCIAÇÃO BASTIDORES Investigação Polícia Federal paulo gonet André Mendonça credibilidade Procuradoria-Geral Daniel vorcaro Ilícitos Conivência Elementos

Leia também