Diário de São Paulo
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Família Vorcaro é investigada por ocultação de patrimônio ligado ao Banco Master

Memorando encontrado em e mails de Daniel Vorcaro detalharia mecanismo de transferência de bens no exterior por valores simbólicos para proteção patrimonial.

Documento encontrado em e mails de Daniel Vorcaro detalharia suposto mecanismo de blindagem patrimonial envolvendo ativos ligados à família controladora do Banco Master - Imagem: Reprodução
Documento encontrado em e mails de Daniel Vorcaro detalharia suposto mecanismo de blindagem patrimonial envolvendo ativos ligados à família controladora do Banco Master - Imagem: Reprodução

Ana Beatriz Publicado em 20/05/2026, às 16h48


A família Vorcaro, controladora do Banco Master, está sob investigação após a descoberta de um memorando que sugere transferências patrimoniais suspeitas, com Daniel Vorcaro como beneficiário oculto de ativos adquiridos por seu pai, Henrique Vorcaro.

O documento revela um modelo de transferência de bens por valores simbólicos, levantando suspeitas de tentativa de blindagem patrimonial e dificultando o rastreamento de ativos, o que pode impactar processos financeiros e judiciais envolvendo o banco.

As autoridades continuam a investigação para analisar a origem dos ativos e a estrutura societária da família, enquanto Daniel e Henrique Vorcaro ainda não se pronunciaram sobre as alegações e não há informações sobre possíveis processos criminais.

Transferências patrimoniais envolvendo a família Vorcaro, que controlava o Banco Master, passaram a ser alvo de investigação após a descoberta de um memorando considerado sensível pelas autoridades responsáveis pela liquidação do banco nos Estados Unidos.

Segundo informações divulgadas pelo jornal O Estado de S. Paulo, o documento foi localizado em mensagens de e mail de Daniel Vorcaro e está sendo analisado pela EFB Regimes Especiais, empresa responsável pelo processo de liquidação internacional da instituição financeira.

De acordo com o conteúdo do memorando, o pai de Daniel, Henrique Vorcaro, teria adquirido imóveis, participações empresariais e outros ativos utilizando terceiros e intermediários, enquanto Daniel seria apontado como o verdadeiro beneficiário do patrimônio.

O documento também detalharia um modelo de transferência patrimonial considerado suspeito pelos investigadores. Segundo a apuração, Henrique Vorcaro poderia transferir empresas e imóveis ao filho mediante simples solicitação, utilizando contratos com valor simbólico de apenas R$ 1 por operação.

Para o liquidante responsável pelo caso nos Estados Unidos, a cláusula prevendo transferências por valor simbólico representa um forte indício de tentativa de blindagem patrimonial, já que ignora completamente os valores reais de mercado dos bens envolvidos.

As autoridades avaliam se o modelo descrito no memorando teria sido utilizado para dificultar o rastreamento de ativos, proteger patrimônio de credores e impedir futuras ações judiciais ou bloqueios financeiros.

O caso ganhou ainda mais relevância diante da dimensão das operações ligadas ao Banco Master e do impacto potencial que eventuais irregularidades podem causar em processos financeiros e judiciais envolvendo ativos internacionais.

Especialistas em direito societário e recuperação judicial apontam que mecanismos de transferência patrimonial por valores simbólicos costumam ser analisados com rigor por órgãos reguladores e tribunais, especialmente quando existem suspeitas de fraude contra credores ou ocultação de patrimônio.

Até o momento, Daniel Vorcaro e Henrique Vorcaro não haviam se pronunciado publicamente sobre o conteúdo do memorando divulgado pela investigação. Também não há informação oficial sobre eventual abertura de processo criminal relacionado às movimentações descritas no documento.

A investigação segue em andamento e poderá aprofundar a análise sobre a origem dos ativos, a estrutura societária utilizada pela família e possíveis conexões internacionais envolvendo patrimônio ligado ao antigo controle do Banco Master.


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