Política

PF diz que Bolsonaro admitiu ter usado ferro de solda para quebrar tornozeleira eletrônica

Após o alarme disparar, a segurança do ex-presidente foi acionada e um novo equipamento foi instalado em menos de uma hora

Bolsonaro enfrenta novas restrições e a possibilidade de uma decisão do STF em breve - Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom / Agência Brasil

Gabriella Souza Publicado em 22/11/2025, às 15h56

A Polícia Federal (PF) trouxe à tona neste sábado (22) que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) informou aos investigadores ter usado um ferro de solda para estragar sua tornozeleira eletrônica durante a madrugada. O fato, que surpreendeu as autoridades, aconteceu pouco depois da meia-noite e é considerado grave.

Ex-presidente reconhece a ação

A notícia da violação, que a PF viu como um ato de "tamanha ousadia", foi confirmada pelo próprio ex-presidente. Segundo as fontes da investigação, Bolsonaro admitiu ter utilizado a ferramenta de soldagem para danificar o aparelho de monitoramento.

A percepção dos membros da PF é que a seriedade do ocorrido é "enorme". Não foi um erro comum, como deixar a bateria acabar, mas sim uma violação intencional e planejada do equipamento. O objetivo por trás dessa atitude de Bolsonaro ainda está sendo apurado.

Detalhes da noite: alerta e troca

O alarme do equipamento de monitoramento disparou à 0h07. Na mesma hora, o grupo que trabalha na segurança do ex-presidente foi avisado pela Secretaria de Administração Penitenciária do governo do Distrito Federal (DF), que cuida da tornozeleira.

A escolta foi até o local, confirmou que o aparelho havia sido violado e fez a troca do equipamento por um novo à 1h09da manhã. Um relatório detalhado sobre o caso está sendo preparado pela Secretaria de Administração Penitenciária do DF, para que se entenda melhor o que aconteceu. Os investigadores estão analisando diferentes possibilidades sobre a situação.

Vigília perto de casa aumentou a tensão

Além do problema com o aparelho, uma convocação feita pelo senador Flávio Bolsonaro (PL) para que houvesse uma vigília na área próxima à residência do ex-presidente foi interpretada pelas autoridades como um tipo de protesto ou reunião de pessoas.

Esse ajuntamento foi visto como algo que poderia gerar bagunça, confusão e criar um ambiente arriscado para os policiais, agentes, apoiadores e até mesmo para o próprio ex-presidente.

Toda essa situação foi levada em conta na decisão do ministro Alexandre de Moraes de transferir Bolsonaro para a Superintendência da PF em Brasília por volta das 2h da manhã deste sábado. O conjunto desses fatos levou a um aumento nas medidas de cautela contra ele.

Medidas cautelares se agravam

A situação legal de Bolsonaro tem ficado cada vez mais complicada. No começo, ele foi proibido de usar redes sociais e recebeu a ordem para usar a tornozeleira. Depois, veio a prisão em casa e, agora, a detenção em uma unidade da Polícia Federal.

Isso acontece em um momento em que os aliados e a família de Bolsonaro acreditam que o processo sobre a tentativa de golpe está na reta final. O ex-presidente já foi condenado, e o caso está na fase de recursos, podendo ter uma decisão final do Supremo Tribunal Federal (STF) em breve.

Por isso, essa manifestação, a tal vigília, não foi vista pelas autoridades apenas como um simples convite para uma oração, mas sim como um movimento com intenção política.

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