Pedido foi feito após denúncia sobre suposto uso de recursos destinados a filme do ex-presidente para financiar campanha internacional contra autoridades brasileiras
Letícia Sales Publicado em 27/05/2026, às 09h44
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta terça-feira (26) que a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifeste, em até cinco dias, sobre o pedido de inclusão do ex-presidente Jair Bolsonaro e do senador Flávio Bolsonaro no inquérito que investiga a atuação do ex-deputado Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.
Eduardo é investigado por suspeitas de coação e tentativa de interferência no julgamento que apura a tentativa de golpe de Estado envolvendo o ex-presidente. O pedido para ampliar o alcance das investigações foi apresentado pelo deputado federal Lindbergh Farias.
Segundo o parlamentar, há indícios de que recursos inicialmente destinados à produção de um filme sobre a trajetória de Jair Bolsonaro teriam sido usados para financiar ações internacionais contra autoridades brasileiras. Entre as suspeitas apontadas estão campanhas por sanções, restrições de vistos, imposição de tarifas e pressões políticas no exterior.
O pedido também solicita apuração sobre possíveis crimes de lavagem de dinheiro, financiamento eleitoral irregular, propaganda eleitoral dissimulada, caixa paralelo, organização criminosa, coação no curso do processo e atentado à soberania nacional.
A solicitação ganhou força após reportagem publicada pelo portal The Intercept Brasil divulgar áudios atribuídos a Flávio Bolsonaro. Nas gravações, o senador pede apoio financeiro ao banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, para custear parte da cinebiografia do ex-presidente.
De acordo com a publicação, Vorcaro teria prometido investir R$ 134 milhões no projeto, dos quais cerca de R$ 61 milhões já teriam sido liberados. Antes da divulgação do material, Flávio afirmava não ter relação com o empresário, que atualmente responde a investigações por suposta fraude contra o sistema financeiro.
Após o vazamento dos áudios, o senador admitiu ter se aproximado do banqueiro em 2024, depois do fim do governo Bolsonaro e antes do avanço das investigações da Polícia Federal. Posteriormente, Flávio também reconheceu ter mantido encontros com Vorcaro após a primeira prisão do empresário, ocorrida em novembro de 2025 durante a Operação Compliance Zero.
Ainda segundo o pedido apresentado ao STF, Eduardo Bolsonaro seria responsável por administrar os recursos repassados pelo banqueiro.
Nesta terça-feira, Flávio e Eduardo Bolsonaro participaram de um encontro com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em Washington. O blogueiro Paulo Figueiredo também esteve presente na reunião, registrada em foto divulgada nas redes sociais.