O pastor Silas Malafaia critica duramente medidas do STF e se declara alvo de perseguição política em meio a investigações
William Oliveira Publicado em 21/08/2025, às 11h29
O pastor Silas Malafaia criticou duramente a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que impôs medidas cautelares contra ele, classificando-a como perseguição. Na quarta-feira (20), o religioso foi abordado pela Polícia Federal, que apreendeu seu passaporte e celular.
Em pronunciamentos públicos, Malafaia chamou Moraes de “criminoso” e disse que não se considera bandido. Ele questionou a legalidade das apreensões e afirmou: “Não vou me calar, vai ter que me prender para me calar”.
As investigações apuram a participação do pastor em supostas ações de coação ligadas à tentativa de golpe de Estado no Brasil. Ele é acusado de trocar mensagens com o ex-presidente Jair Bolsonaro, nas quais discutiram estratégias para vincular a revogação de uma tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos à concessão de anistia aos envolvidos nos ataques de 8 de janeiro de 2023.
Nos diálogos, Malafaia orienta Bolsonaro a pressionar o STF, sugerindo que a anistia poderia levar à suspensão da tarifa. Bolsonaro, por sua vez, defendia iniciar as tratativas sobre a anistia antes de qualquer negociação comercial.
As mensagens também revelam a elaboração de uma campanha de comunicação. Malafaia sugeriu a gravação de um vídeo e até a contratação de um marqueteiro para divulgar o lema: “Anistia para todos! O Brasil da liberdade não será taxado”.
Segundo Moraes, o pastor atuou como “orientador e auxiliar” nas manobras de coação lideradas por Bolsonaro, com o objetivo de interferir no processo judicial em que o ex-presidente responde por tentativa de golpe. Nesse contexto, Eduardo Bolsonaro, filho do ex-presidente, também foi indiciado por tentar deslegitimar instituições brasileiras perante os EUA em busca de apoio à anistia.
A tarifa americana entrou em vigor em agosto deste ano, durante o governo Donald Trump, que justificou a medida como uma correção de “injustiças do sistema comercial”. Trump ainda classificou o julgamento de Bolsonaro como uma “caça às bruxas”, chamou o processo de “vergonha internacional” e impôs sanções econômicas contra Moraes, acusando-o de promover “prisões arbitrárias” e restringir a liberdade de expressão no Brasil.