Presidente defende medidas para evitar alta nos combustíveis e alimentos e reforça pressão sobre o Congresso por mudanças na segurança pública
Letícia Sales Publicado em 02/04/2026, às 09h56
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quinta-feira (2) que o governo federal está mobilizado para evitar que os efeitos de conflitos internacionais atinjam diretamente o custo de vida da população brasileira. Em entrevista à TV Record da Bahia, durante agenda em Salvador, o petista destacou que o objetivo é impedir que a alta nos preços internacionais recaia sobre itens básicos e combustíveis.
“Estamos fazendo todo esforço possível para não permitir que a guerra irresponsável do Irã chegue ao bolso do povo que vai comprar seu feijão, seu alface, seu milho. Não vamos permitir que os preços internacionais cheguem ao bolso do caminhoneiro, da dona de casa”, afirmou.
Como parte das medidas para conter impactos, o governo anunciou um subsídio de R$ 1,20 por litro de diesel importado nos meses de abril e maio. A iniciativa, voltada a reduzir os efeitos da alta do petróleo no mercado global, será financiada de forma compartilhada entre a União e os estados. Segundo o Ministério da Fazenda, mais de 80% das unidades federativas aderiram ao programa.
Durante a entrevista, Lula também criticou os aumentos considerados injustificados nos preços de combustíveis e defendeu maior rigor na fiscalização. “Estamos tentando colocar a Polícia Federal, a Polícia Rodoviária Federal para pegar quem for necessário. Tem muita gente ganhando dinheiro roubando o povo. Não tinha direito de aumentar e está aumentando”, disse.
O presidente voltou a reforçar que a população mais vulnerável não deve arcar com os custos indiretos de conflitos internacionais. “O povo pobre não vai pagar, em hipótese alguma, o preço dessa guerra. Donald Trump que pague, Benjamin Netanyahu que pague”, declarou.
Além da pauta econômica, Lula abordou a tramitação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, já aprovada na Câmara dos Deputados e atualmente em análise no Senado. O presidente afirmou que a criação de um Ministério da Segurança Pública depende diretamente da aprovação da proposta.
“Essa PEC vai permitir que a gente tome decisão muito importante, que é criar o Ministério da Segurança e definir nova ação do governo federal na questão”, explicou.
Segundo ele, a medida deve ampliar o papel da União na área, incluindo a atuação da Polícia Federal e da Polícia Rodoviária Federal, além da criação de uma guarda nacional com maior capacidade de intervenção.
O presidente também citou ações recentes contra o crime organizado no setor de combustíveis, destacando apreensões e investigações em andamento. “Nós já apreendemos 250 milhões de litros de combustível que estavam na mão do crime organizado. Queremos chegar ao andar de cima, nos magnatas da corrupção”, afirmou.
Ao final, Lula voltou a pressionar o Congresso pela aprovação da PEC. “Preciso que o Congresso aprove a PEC. Hora que aprovar, nós vamos aprontar com muita rapidez um grande Ministério da Segurança Pública, pra que a gente possa fazer intervenção no crime organizado sem precisar pedir licença pra ninguém”, concluiu.