Presidente demonstra preocupação com impacto de apostas online e pressão inflacionária sobre consumo; governo discute com bancos criação de faixas de renegociação por perfil de renda

Letícia Sales Publicado em 01/04/2026, às 12h07
Diante de um cenário em que cerca de 70 milhões de famílias brasileiras vivem com o nome negativado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) determinou que o Banco Central e o Ministério da Fazenda levantem informações sobre o endividamento da população para embasar uma nova versão do programa Desenrola Brasil. A iniciativa, apelidada por auxiliares de "Desenrola recauchutado", tem como objetivo frear o avanço da inadimplência e reduzir a pressão sobre o consumo das famílias.
A nova etapa do programa prevê que consumidores possam quitar dívidas de forma unificada, com condições mais vantajosas, incluindo redução de juros e ampliação dos prazos de pagamento. O desenho da proposta vem sendo costurado em conversas entre o governo federal e instituições financeiras, com a possibilidade de criação de faixas de renegociação ajustadas ao perfil de renda de cada devedor.
Na segunda-feira (30), o presidente recebeu no Planalto representantes da Febraban (Federação Brasileira de Bancos), ABBC (Associação Brasileira de Bancos), Abecs (Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços), Zetta (Associação das Fintechs) e Acrefi (Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento). O encontro integra os esforços do governo para construir uma solução que envolva o setor financeiro na renegociação das dívidas.
Em reuniões reservadas com ministros, Lula tem manifestado preocupação com fatores que, na avaliação do Planalto, podem agravar ainda mais o quadro de endividamento. Entre eles, destacam-se o avanço das plataformas de apostas online e, em especial, dos chamados caça-níqueis eletrônicos, como o "jogo do tigrinho". Integrantes do governo avaliam que esses jogos têm comprometido a renda de famílias de baixa renda, muitas vezes em um ciclo que termina em inadimplência.
Outro ponto de atenção do presidente é a pressão inflacionária decorrente da guerra no Oriente Médio, que ameaça elevar preços de combustíveis e alimentos, reduzindo o poder de compra da população e aumentando o risco de novos calotes.
O governo ainda não divulgou um cronograma para o lançamento do novo programa, mas a expectativa é que as tratativas avancem nas próximas semanas. O Desenrola original, lançado em 2023, já permitiu a renegociação de dívidas de milhões de brasileiros, com destaque para a faixa de renda mais baixa.
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