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Lula pede apoio da ONU para o Haiti em meio a crise humanitária e segurança

O governo brasileiro se compromete a treinar 400 policiais haitianos visando estabilizar a segurança no país

O governo brasileiro se compromete a treinar 400 policiais haitianos visando estabilizar a segurança no país - Imagem: Reprodução / Antonio Cruz / Agência Brasil

Gabriela Thier Publicado em 13/06/2025, às 17h02

Na última sexta-feira (13), o presidente Lula manifestou seu apoio à ideia de que a Organização das Nações Unidas (ONU) deve assumir uma parte do financiamento da missão de segurança no Haiti ou, alternativamente, implementar uma nova missão de paz na nação caribenha. Essa solicitação ocorre em meio a uma crise humanitária e de segurança, exacerbada pelo controle que gangues exercem sobre grande parte da capital, Porto Príncipe, e outras áreas significativas do país.

Durante a abertura da Cúpula Brasil-Caribe, realizada no Palácio Itamaraty em Brasília, Lula enfatizou que "o Haiti não pode ser punido eternamente por ter sido o primeiro país das Américas a conquistar sua independência". Ele criticou as consequências históricas que o país enfrentou, desde indenizações injustas até a atual indiferença internacional. O presidente pediu um envolvimento ativo da comunidade global em favor de um plano nacional que vise o desenvolvimento do Haiti.

O governo brasileiro manifestou apoio à proposta de que a ONU se responsabilize pelo financiamento da Missão Multinacional de Apoio à Segurança (MSS) no Haiti ou transforme essa missão em uma operação de paz. Segundo informações das Nações Unidas, aproximadamente 1,3 milhão de haitianos foram deslocados internamente devido à violência crescente dos grupos criminosos, cujas ações incluem assassinatos, estupros e sequestros.

A MSS foi aprovada pela ONU em outubro de 2023 como uma força policial internacional com a missão de ajudar o governo haitiano na restauração da ordem pública e na capacitação das forças policiais locais. A operação é liderada pelo Quênia e financiada através de contribuições voluntárias dos países participantes.

O presidente Lula anunciou que, nos próximos meses, a Polícia Federal do Brasil iniciará um programa de treinamento para 400 agentes da polícia nacional haitiana. "Estabilizar a situação de segurança é fundamental para avançar no processo político e viabilizar a realização das eleições presidenciais", declarou, oferecendo a cooperação brasileira na organização desse pleito.

Além disso, o Brasil e a República Dominicana foram escolhidos para serem os primeiros países a receber projetos da Aliança Global Contra a Fome e a Pobreza. Lula mencionou que o Brasil planeja estruturar um programa de transferência de renda destinado aos haitianos, utilizando recursos do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

O presidente lembrou ainda que o Brasil liderou a Missão das Nações Unidas para Estabilização no Haiti (Minustah), que ocorreu entre 2004 e 2017 e desempenhou um papel crucial na recuperação do país após o devastador terremoto de 2010. Ele ressaltou que, logo após essa tragédia, o Brasil foi o primeiro país a contribuir com US$ 55 milhões para o fundo de reconstrução do Haiti e destacou que desde 2012 foram concedidos mais de 90 mil vistos humanitários aos haitianos em busca de melhores condições de vida.

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