Após encontro de 50 minutos, líderes expressam desejo de resolver questões comerciais e avançar nas relações bilaterais
Redação Publicado em 26/10/2025, às 11h33
Após a primeira reunião oficial entre os presidentes Lula e Donald Trump, o clima parece ser de otimismo cauteloso. O encontro, que aconteceu neste domingo (26) na Malásia e durou cerca de 50 minutos, foi descrito por Lula como uma conversa “franca e construtiva” sobre os temas de comércio e economia entre Brasil e Estados Unidos.
Os dois líderes estão no país asiático para participar da 47ª reunião de cúpula da Asean (Associação das Nações do Sudeste Asiático), e aproveitaram a oportunidade para ter essa conversa particular. Antes mesmo do início, Trump já havia sinalizado um tom amigável, dizendo ser uma “grande honra” estar com o presidente brasileiro e que ambos deveriam buscar acordos “bons para os países”. Lula, por sua vez, afirmou que não via “nenhuma razão para ter desavença” entre as duas nações.
O principal resultado prático do encontro foi a decisão de colocar as equipes técnicas dos dois governos para trabalhar “imediatamente”. O objetivo é avançar na busca por soluções para os dois pontos mais delicados da relação atual: o pesado aumento das tarifas americanas sobre produtos brasileiros e as recentes punições (sanções) aplicadas pelos EUA contra autoridades do Brasil, incluindo ministros do STF.
Tarifas e Sanções em Pauta
A questão das tarifas, que tem prejudicado exportadores brasileiros, foi abordada. Em uma rápida fala aos jornalistas antes da reunião, Trump chegou a dizer que chegariam a uma “conclusão rápida” sobre o assunto, mas não deu mais detalhes. Após a conversa, o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, disse que o encontro foi “muito positivo” e que há esperança de se chegar a uma negociação direta que resolva a questão das taxas setor por setor.
Lula também comentou em suas redes sociais sobre a conversa, reforçando o tom positivo e a expectativa de avanços. Em outro momento, falando a empresários após o encontro com Trump, o presidente brasileiro refletiu sobre a posição do Brasil no mundo, afirmando que o país historicamente olhou muito para a Europa e os EUA, mas que “o mundo existe além” desses locais e que o cenário atual “não aceita uma nova guerra fria”.
Questionado sobre sua relação com o ex-presidente Jair Bolsonaro, Trump disse que sempre gostou dele e achava que era um “cara honesto”, mas afirmou que o tema não seria tratado na reunião com Lula.