Lula critica Israel por prisão de ativista brasileiro e pede soltura imediata: "Ação injustificável"

Presidente afirma que detenção de Thiago Ávila em águas internacionais viola o direito internacional

Brasileiro foi preso após interceptação de embarcação com ajuda humanitária destinada à Gaza - Imagem: Ilia Yefimovich/AFP

Redação Publicado em 05/05/2026, às 15h49

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou a detenção do brasileiro Thiago Ávila, integrante da flotilha “Global Sumud” — iniciativa internacional formada por embarcações com ativistas que buscam levar ajuda humanitária à Faixa de Gaza  — e afirmou que a ação conduzida por Israel é “injustificável”. A manifestação foi publicada nas redes sociais nesta terça-feira (5), em meio à repercussão internacional do caso.

Na declaração, Lula disse que a prisão provoca “grande preocupação” e defendeu que o episódio seja alvo de condenação global. O presidente também destacou que a abordagem ocorreu em águas internacionais, classificando a medida como uma violação grave das normas que regem o direito internacional. Segundo ele, o governo brasileiro atua em articulação com a Espanha, que também teve um cidadão detido, para garantir a segurança dos envolvidos e pressionar pela libertação.

Imagem: Reprodução | X

Israel acusa ativistas de ligação com terrorismo

A detenção de Ávila e do espanhol Saif Abu Keshek foi prorrogada por mais seis dias após decisão do Tribunal de Magistrados de Ashkelon, que estendeu o prazo até 10 de maio. Os dois estavam a bordo de embarcações que seguiam em direção à Faixa de Gaza com o objetivo de entregar ajuda humanitária e desafiar o bloqueio imposto por Israel. A flotilha partiu de Barcelona em 12 de abril e foi interceptada próximo à Grécia. Mais de 100 ativistas foram levados para a ilha de Creta, enquanto Ávila e Abu Keshek foram transferidos para território israelense.

De acordo com documentos judiciais, as autoridades israelenses acusam os dois de crimes como auxílio ao inimigo, contato com agentes estrangeiros e envolvimento com organização considerada terrorista. A defesa, representada pela organização de direitos humanos Adalah, contesta as acusações e afirma que não há base legal para manter a prisão.

Durante audiência, os advogados argumentaram que não houve formalização das denúncias e que a detenção tem sido usada para prolongar interrogatórios. A equipe jurídica anunciou que irá recorrer da decisão e exigir a libertação imediata e incondicional dos ativistas.

A Adalah também denunciou possíveis abusos durante a custódia. Segundo relatos apresentados pela entidade, Ávila teria sido mantido isolado, com os olhos vendados, e sofrido agressões físicas durante a abordagem, incluindo espancamentos que o fizeram desmaiar. O governo israelense nega as acusações.

Uma nova audiência foi marcada para avaliar o caso, enquanto cresce a pressão diplomática sobre Israel. O governo brasileiro segue acompanhando a situação e reforça o pedido de soltura do cidadão.

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