Importância das comunidades locais na preservação da Amazônia
Gabriela Thier Publicado em 30/01/2025, às 14h51
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) expressou sua descrença em relação às promessas feitas por países desenvolvidos sobre compensações financeiras para nações que preservam suas florestas, como uma medida para mitigar os impactos das mudanças climáticas. Durante uma coletiva de imprensa realizada na manhã desta quinta-feira (30), o presidente enfatizou a importância do compromisso sério por parte dessas nações e destacou o papel fundamental que as comunidades locais na Amazônia desempenham na conservação da floresta.
Para Lula, a efetivação desse compromisso depende da garantia de direitos e recursos adequados para essas populações. "É necessário empreender um esforço considerável em relação às questões climáticas. Se não tomarmos medidas significativas, as COPs (Conferências das Partes) acabarão perdendo credibilidade, pois as decisões podem parecer promissoras no papel, mas frequentemente não são cumpridas", afirmou.
O presidente também lembrou da saída dos Estados Unidos do Acordo de Paris, anunciada por Donald Trump, e ressaltou que o país já havia falhado em cumprir o Acordo de Kyoto. "Os países se comprometeram a destinar US$100 bilhões anuais para os países em desenvolvimento, mas até o momento isso não se concretizou. Atualmente, a necessidade é de US$1,3 trilhão. Estou certo de que esse valor não será disponibilizado. Mesmo a cifra reduzida para US$300 bilhões pelos ambientalistas não será atingida. É essencial promover um debate sério sobre o assunto", argumentou Lula.
A próxima Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), marcada para acontecer em Belém no mês de novembro, é vista pelo presidente como um marco crucial para definir as ações futuras em relação ao clima. "Se quisermos abordar a questão climática com seriedade; se desejamos implementar uma transição energética verdadeira; se realmente almejamos transformar nosso planeta para garantir nossa sobrevivência; precisamos agir com responsabilidade e evitar superficialidades na discussão sobre mudanças climáticas", declarou.
Em relação à ajuda financeira dos países ricos para a conservação das florestas, Lula reiterou que é vital assegurar que os recursos acordados sejam efetivamente destinados às comunidades locais. "É fundamental que todos compreendam que, quando mencionamos a meta de desmatamento zero até 2030, cada árvore representa um indígena, um ribeirinho ou um pequeno trabalhador rural. Essas pessoas têm o direito ao acesso aos mesmos recursos materiais que todos os demais", concluiu o presidente.