HOMENAGEM

Lula concede Ordem de Rio Branco a Eunice Paiva por luta contra regime militar

Eunice Paiva, esposa de Rubens Paiva, reconhecida como ícone da resistência, teve sua história retratada no filme 'Ainda Estou Aqui', vencedor do Oscar

Eunice Paiva com o atestado de óbito do marido, Rubens Paiva, em 1996 - Imagem: Reprodução / Arquivo pessoal

William Oliveira Publicado em 28/05/2025, às 13h29

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, representando o governo brasileiro, concedeu nesta quarta-feira (28) a Ordem de Rio Branco, de forma póstuma, a Eunice Paiva, falecida em 2018. Eunice foi esposa do ex-deputado federal Rubens Paiva, desaparecido em 1971 durante a ditadura militar, e ficou marcada por sua luta incansável pela verdade e pelos direitos humanos.

A trajetória da família Paiva ganhou visibilidade mundial com o filme "Ainda Estou Aqui", vencedor do Oscar de Melhor Filme Internacional em 2025. O governo brasileiro destacou que a busca de Eunice e de seus filhos por informações sobre o paradeiro de Rubens Paiva se tornou símbolo emblemático da resistência civil no país.

O Estado brasileiro só reconheceu oficialmente a morte de Rubens Paiva 25 anos após seu desaparecimento, e o corpo dele jamais foi localizado. A história de Eunice foi levada aos cinemas pelo diretor Walter Salles, com Fernanda Torres no papel principal — interpretação que lhe rendeu o Globo de Ouro de Melhor Atriz.

O Ministério das Relações Exteriores classificou Eunice Paiva como um verdadeiro ícone da resistência à ditadura militar, destacando sua atuação na defesa das liberdades democráticas e dos direitos dos povos indígenas. Sua trajetória, segundo o governo, é um exemplo inspirador para todos que atuam em prol do Estado Democrático de Direito no Brasil.

A Ordem de Rio Branco

Criada em 1963, a Ordem de Rio Branco reconhece “serviços meritórios e virtudes cívicas”, prestados ao Brasil. A homenagem leva o nome do Barão do Rio Branco, patrono da diplomacia brasileira.

A insígnia é formada por uma cruz de quatro braços e oito pontas, esmaltada em branco. No centro, há uma esfera armilar dourada, cercada por um círculo azul com a inscrição em latim: “Ubique Patriae Memor”, que significa “Em qualquer lugar, terei sempre a Pátria em minha lembrança”.

O decreto que conferiu a honraria teve assinatura do presidente Lula e do ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira.

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