Política

Lula comenta prisão de Bolsonaro: "A justiça decidiu, está resolvido"

Presidente enfatizou que Bolsonaro deve cumprir a pena definida pela Justiça após dois anos e meio de investigação

O presidente Lula destacou o papel do Judiciári - Foto: Esa Alexander/Reuters

Redação Publicado em 23/11/2025, às 17h04

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez questão de manter distância da polêmica envolvendo a prisão preventiva do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O petista deixou claro que não iria se aprofundar na decisão que partiu do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Apesar de ser um assunto de grande repercussão, Lula foi direto ao ser perguntado sobre o tema, em uma coletiva de imprensa realizada em Joanesburgo, na África do Sul. O presidente estava no país para a 20ª Cúpula de chefes de Estado e governo do G20, evento que chegou ao fim neste domingo (23).

"A justiça decidiu"

Lula foi enfático ao ressaltar o papel do Judiciário no caso de Bolsonaro. Ele evitou fazer comentários diretos sobre a sentença da Suprema Corte, preferindo reafirmar que a decisão já foi tomada. "Eu não me manifesto sobre uma decisão da Suprema Corte. O Judiciário decidiu, ele foi julgado, ele teve todo o direito de presunção de inocência", disse Lula. "Foram praticamente dois anos e meio de investigação, de delatores, de julgamento." O presidente concluiu seu raciocínio destacando que, com a decisão judicial, o ex-presidente deve cumprir o que foi determinado. "A Justiça resolveu, está resolvido, ele vai cumprir a pena que a Justiça definiu, e todo mundo sabe o que ele fez", finalizou. A declaração foi dada neste domingo (23).

Entenda o caso

Jair Bolsonaro foi detido no último sábado (22), em um movimento surpresa. A prisão é preventiva, ou seja, não tem um prazo final estabelecido. A medida drástica veio após o STF considerar que o ex-presidente poderia causar problemas à ordem pública. O ministro Moraes argumentou que havia sido convocada uma espécie de vigília na frente da casa de Bolsonaro, onde ele já estava em prisão domiciliar, com o objetivo de impedir uma eventual detenção. Outro fator crucial para a decretação da prisão foi a tentativa de danificar a tornozeleira eletrônica do ex-presidente, o que, para Moraes, aumentava o risco de fuga. O próprio ex-presidente confirmou ter estragado o aparelho com um ferro de solda, e o dispositivo precisou ser substituído durante a madrugada.

Condenação e o futuro na cadeia

Vale ressaltar que a prisão atual de Bolsonaro não é por conta de sua condenação no caso da tentativa de golpe. O ex-presidente foi sentenciado a 27 anos e três meses, mas a defesa ainda tem até a próxima segunda-feira (24) para entrar com recurso. A detenção por essa condenação deve vir nos próximos dias. Como o tempo de pena (27 anos e 3 meses) é maior que oito anos, Bolsonaro terá de começar a cumprir a sentença em regime fechado, ou seja, direto na cadeia. Assim, ele deve juntar a prisão preventiva com a que virá da condenação.

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