Jorge Messias, o evangélico indicado por Lula ao STF que chega ao Senado com a promessa de equilíbrio e diálogo

Davi Alcolumbre acertará em aprovar Jorge Messias no STF. Um homem de fé, simples, pacificador, querido pela igreja e respeitado no Senado. Um brasileiro que venceu pela educação, pela humildade e pela serenidade no trato com as pessoas

Evangélico e servidor público, Messias construiu uma reputação de profissional técnico, essencial para o atual cenário político brasileiro - Imagem: Reprodução | Agência O Globo

Rodrigo Luchiari Publicado em 28/11/2025, às 21h26

A indicação de Jorge Rodrigo Araújo Messias ao Supremo Tribunal Federal chamou a atenção tanto dentro do Senado quanto entre lideranças religiosas. Evangélico de formação batista, servidor de carreira e articulador discreto, Messias construiu uma reputação de profissional técnico e pouco afeito a confrontos — característica que aliados consideram essencial num momento de tensão institucional.

Nascido em Recife e criado parcialmente em Teresina, Messias estudou em escola pública e cresceu vinculado à Igreja Batista Cristã. Em palestra na Universidade Federal de Pernambuco, em 2022, mencionou a influência da estrutura comunitária na formação de sua visão de serviço público e afirmou que, “a escola pública e a igreja foram as duas instituições que moldaram meu senso de responsabilidade. Aprendi cedo que o espaço público exige escuta e cuidado.”

De volta ao Recife, ingressou no curso de Direito da UFPE e conciliou estudos com estágios. Em 2003, foi aprovado em concurso da Caixa Econômica Federal, experiência que, segundo ele próprio relatou em audiência pública da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) em 2021, marcou sua compreensão do impacto social do serviço público. “No atendimento da Caixa, aprendi que uma assinatura pode resolver um problema ou criar outro. Ali desenvolvi a noção de que o servidor existe para facilitar a vida de quem depende do Estado.”, disse na ocasião.

Depois, alcançou seguidos cargos por concurso: analista do Judiciário, procurador dos Tribunais de Contas, procurador do Banco Central e, posteriormente, procurador da Fazenda Nacional — função que lhe deu entrada definitiva no núcleo jurídico da União.

Atuação técnica e reserva política

Messias assumiu posições estratégicas ao longo dos governos petistas, sobretudo na Casa Civil, onde atuou em coordenações jurídicas sensíveis. Servidores que trabalharam com ele o descrevem como metódico, tendo como marca a previsibilidade, podendo resumir seu método de trabalho em estudo técnico, zero improviso e aversão a ruído, evitando transformar decisões administrativas em crises políticas.

Entre 2019 e 2022, na função de consultor legislativo informal para temas jurídicos no Senado, consolidou boa relação com parlamentares de diferentes partidos. O presidente da CCJ, Davi Alcolumbre, que comandará a sabatina, já declarou em 2023, durante sessão da comissão, que “o Dr. Messias sempre tratou este Senado com respeito institucional e com clareza técnica.”

No comando da Advocacia-Geral da União desde 2023, Messias esteve à frente de negociações complexas envolvendo entes federativos, empresas e órgãos de controle. Evitou litígios prolongados e priorizou acordos. Em coletiva realizada em agosto de 2024, ao anunciar conciliação envolvendo estados do Norte, afirmou: “O conflito deve ser a última alternativa do Estado. Nossa tarefa é buscar soluções que preservem direitos, recursos públicos e relações institucionais.

Esse discurso, repetido em diferentes eventos públicos, é citado por aliados como demonstração de seu perfil pacificador.

Apoio político e evangélico

A interlocução com lideranças religiosas também pesa. Messias nunca exerceu ativismo público de fé, mas manteve vínculos históricos com a comunidade batista. Em nota divulgada dias após a indicação, o presidente da Convenção Batista de Pernambuco, Pastor Marcílio Barros, afirmou que a indicação de Messias “representa uma parcela de brasileiros cuja fé se traduz em serviço e responsabilidade. Sua trajetória honra valores que consideramos essenciais para a vida pública.”

No Senado, integrantes da base veem nele um nome que pode baixar a temperatura política da Corte e, dentro do governo, como aposta em estabilidade institucional. O presidente Lula afirmou, ao anunciar o nome, que “o Brasil precisa de pessoas equilibradas no Supremo. O Dr. Messias reúne preparo técnico, serenidade e compromisso com a democracia.”

A oposição, embora não veja alinhamento ideológico claro, aguarda a sabatina para medir sua postura em temas sensíveis, como judicialização da política e decisões individuais de ministros.

Messias chegará ao Senado com a imagem de servidor técnico, articulador prudente e figura religiosa moderada — um perfil que seus defensores enxergam como antídoto para um momento marcado por desgaste institucional e disputas políticas ampliadas.

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