JUSTIÇA

Itamaraty defende soberania do Brasil após veredicto contra Bolsonaro: "Assegura a Constituição"

O Ministério das Relações Exteriores enfatiza a força das instituições democráticas brasileiras diante de ameaças externas e reafirma a soberania nacional

Pasta ressaltou que os réus tiveram amplo direito de defesa durante todo o processo - Imagem: Reprodução / Agência Brasil / Lula Marques

William Oliveira Publicado em 12/09/2025, às 11h00

O Ministério das Relações Exteriores do Brasil (MRE) emitiu uma nota oficial em resposta à condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro, destacando que o julgamento realizado pelo Poder Judiciário respeitou os princípios constitucionais da Constituição de 1988. A pasta ressaltou que os réus tiveram amplo direito de defesa durante todo o processo.

O MRE também enfatizou a resiliência das instituições democráticas brasileiras frente às tentativas de desestabilização política, afirmando que o país permanecerá firme na defesa de sua soberania contra qualquer forma de agressão ou interferência externa.

"O Poder Judiciário brasileiro julgou, com a independência que lhe assegura a Constituição de 1988, os primeiros acusados pela frustrada tentativa de golpe de Estado, que tiveram amplo direito de defesa. As instituições democráticas brasileiras deram sua resposta ao golpismo. Continuaremos a defender a soberania do País de agressões e tentativas de interferência, venham de onde vierem", declarou o ministério.

A nota ainda rebateu críticas recentes do Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, que se manifestou contrariamente às decisões da Corte brasileira. "Ameaças como a feita hoje pelo Secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, em manifestação que ataca autoridade brasileira e ignora os fatos e as contundentes provas dos autos, não intimidarão a nossa democracia", afirmou o Itamaraty.

Os réus considerados culpados incluem: Jair Bolsonaro, Alexandre Ramagem, Almir Garnier, Anderson Torres, Augusto Heleno, Mauro Cid, Paulo Sérgio Nogueira e Walter Souza Braga Netto.
A Procuradoria-Geral da República (PGR) imputou cinco crimes aos acusados:

  1. Organização criminosa armada (pena de 3 a 8 anos);
  2. Tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito (pena de 4 a 8 anos);
  3. Tentativa de golpe de Estado (pena de 4 a 12 anos);
  4. Dano qualificado pela violência e grave ameaça (pena de 6 meses a 3 anos);
  5. Deterioração de patrimônio tombado (pena de 1 a 3 anos).

No âmbito jurídico, a condenação foi decidida pelo ministro Cristiano Zanin, presidente da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), que votou pela culpabilidade de Bolsonaro e de outros sete réus envolvidos na tentativa de golpe. Zanin afirmou que as ações dos réus não foram meras opiniões controversas, mas sim um esforço coordenado para se perpetuarem no poder por meio da obstrução do Judiciário e da incitação a atos violentos com apoio das Forças Armadas.

O voto do ministro consolidou a maioria já formada após a manifestação da ministra Cármen Lúcia. Agora, a discussão se volta para a definição das penas, que só serão executadas após o trânsito em julgado da decisão judicial.

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