A greve foi motivada pela rejeição da proposta de Acordo Coletivo de Trabalho, considerada insatisfatória pelos sindicatos
Gabriela Thier Publicado em 15/12/2025, às 16h03
A partir da zero hora desta segunda-feira (15), trabalhadores do Sistema Petrobras iniciaram uma greve nacional, interrompendo suas atividades de forma indefinida.
De acordo com informações da Federação Única dos Petroleiros (FUP), o movimento começou de maneira significativa na madrugada, quando a operação das plataformas localizadas no Espírito Santo e no Norte Fluminense foi transferida para as equipes de contingência. Além disso, o Terminal Aquaviário de Coari, no Amazonas, também registrou 100% de adesão à greve.
Na manhã do mesmo dia, trabalhadores de seis refinarias sob a jurisdição da FUP se juntaram ao movimento, não realizando o revezamento de turnos programado para às 7 horas. As refinarias afetadas incluem Regap (Betim/MG), Reduc (Duque de Caxias/RJ), Replan (Paulínia/SP), Recap (Mauá/SP), Revap (São José dos Campos/SP) e Repar (Araucária/PR), conforme comunicado do sindicato.
A decisão pela greve foi motivada pela rejeição da segunda contraproposta apresentada pela Petrobras referente ao Acordo Coletivo de Trabalho (ACT), que foi considerada insatisfatória pelas entidades representativas dos trabalhadores.
A nova proposta foi apresentada pela empresa na terça-feira (9), mas, segundo os sindicatos, não abordou adequadamente três questões cruciais nas negociações: a busca por uma solução definitiva para os Planos de Equacionamento de Déficit (PEDs) da Petros, que afetam diretamente a renda de aposentados e pensionistas; melhorias no plano de cargos e salários, garantindo recomposições sem a aplicação de ajustes fiscais; e a pauta pelo Brasil Soberano, que defende a manutenção da Petrobras como uma empresa pública com um modelo de negócios voltado para o fortalecimento da estatal.
A FUP ressaltou que, além da falta de respostas conclusivas sobre os PEDs — um tema debatido há quase três anos com o governo e entidades representativas — a Petrobras também não apresentou soluções adequadas para outras pendências acumuladas ao longo das negociações.
Em resposta ao movimento grevista, a Petrobras divulgou uma nota informando que foram registradas manifestações em diversas unidades da companhia. A empresa afirmou que até o momento não há impacto significativo na produção de petróleo e derivados, e que foram implementadas medidas de contingência para garantir a continuidade das operações. A estatal assegurou ainda que o abastecimento do mercado permanece garantido.
A Petrobras reafirmou seu respeito pelo direito dos empregados à manifestação e destacou que mantém um canal aberto de diálogo com as entidades sindicais, independentemente de pressões externas ou manifestações públicas.