Financiamento inclui apoio a filmes, salas de cinema e eventos culturais

Gabriela Nogueira Publicado em 03/10/2025, às 18h35
Na última quinta-feira, a Petrobras organizou uma cerimônia na Cinemateca do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM) para comemorar os 30 anos da recuperação do cinema brasileiro. Durante o evento, a empresa estatal anunciou um investimento significativo de R$ 100 milhões até 2027, destinado ao apoio do setor audiovisual no Brasil.
Os recursos serão direcionados à produção e distribuição de filmes e séries, à manutenção de cinemas e ao patrocínio de festivais renomados, como os de Gramado, Tiradentes (MG), Bonito Cine Sur (MS) e Mostra de Gostoso (RN).
Milton Bittencourt, gerente de patrocínios culturais da Petrobras, enfatizou o compromisso da empresa em fortalecer o cinema nacional: "Nosso objetivo é garantir que o cinema brasileiro continue a narrar as histórias do país, conectando-se com o presente e projetando o futuro".
A Retomada do Cinema Brasileiro
A trajetória do cinema nacional começou a se revitalizar há três décadas com o lançamento de "Carlota Joaquina, Princesa do Brasil", dirigido por Carla Camurati. Este filme foi um marco no reencontro do público com as salas de exibição, após um período difícil marcado pelo fechamento da Embrafilme nos anos 90 e pela falta de políticas públicas voltadas para o setor.
No espírito de celebração e reconhecimento, a Petrobras realizou uma mesa redonda intitulada "Petrobras e Cinema Brasileiro: 30 anos de história", onde participaram figuras proeminentes como o ator Rodrigo Santoro, o produtor Flávio R. Tambellini, a distribuidora Silvia Cruz e Milton Bittencourt. A mediação ficou por conta da apresentadora e cineasta Marina Person.
Desde a sua retomada, a Petrobras tem patrocinado mais de 600 produções brasileiras, abrangendo longas-metragens, curtas e documentários. Entre os filmes emblemáticos estão títulos que conquistaram tanto público quanto crítica, como "Cidade de Deus", "Tieta do Agreste", "O Quatrilho", "Carandiru", "Bacurau" e o mais recente "O Agente Secreto", dirigido por Kleber Mendonça Filho e premiado no Festival de Cannes.
O Papel do Patrocínio Cultural
A mesa redonda não apenas comemorou as três décadas de parceria entre a Petrobras e o cinema brasileiro, mas também ressaltou a importância do patrocínio cultural como um pilar para identidade, memória e diversidade cultural no Brasil.
Marina Person destacou que "não haveria 30 anos de história nem 600 filmes realizados sem um investimento robusto como o da Petrobras. Esse apoio é crucial não só para a produção cinematográfica, mas também para a afirmação da identidade cultural brasileira".
Rodrigo Santoro, convidado especial do evento, compartilhou suas memórias ligadas à companhia. Ele lembrou que seu pai, um imigrante italiano, trabalhou na Petrobras por muitos anos: "A dedicação dele à Petrobras me deixou uma forte impressão sobre responsabilidade e disciplina que carrego até hoje".
O ator também recordou seu primeiro papel em um longa-metragem no filme "Bicho de Sete Cabeças" (2001) e abordou críticas às leis de incentivo cultural: "Há muito preconceito em relação à Lei Rouanet e ao patrocínio cultural. É fundamental entender a relevância desse suporte; muitos dos filmes que celebramos hoje jamais teriam sido produzidos sem ele".
A distribuidora Silvia Cruz destacou a importância do projeto Sessão Vitrine Petrobras, que leva filmes nacionais a mais de 20 cidades com ingressos acessíveis: "É uma ação que democratiza o acesso ao cinema. Com esse apoio, conseguimos distribuir tanto lançamentos quanto obras restauradas para públicos que, caso contrário, não teriam acesso".
Por sua vez, Flávio Tambellini comentou sobre a produção do filme "Malês", dirigido por Antonio Pitanga, um projeto que levou mais de duas décadas para ser realizado: "Esse processo foi longo e desafiador. O apoio da Petrobras foi fundamental para trazer à luz essa obra que resgata a história da resistência negra no Brasil. É um filme histórico necessário que só pôde existir devido a esse suporte".
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