Governo Trump envia carta a Moraes após censura à plataforma Rumble

Departamento de Justiça dos EUA contesta ações de Moraes sobre a plataforma Rumble, destacando a jurisdição limitada do ministro

Após ameaças de sanções, o governo brasileiro busca diálogo com os EUA - Imagem gerada por IA

William Oliveira Publicado em 30/05/2025, às 13h02

O governo dos Estados Unidos tem ampliado sua ofensiva contra autoridades estrangeiras que, segundo acusações, estariam tentando restringir a liberdade de expressão em plataformas digitais com sede em território americano. Recentemente, o Departamento de Justiça dos EUA encaminhou uma correspondência ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), criticando suas ações envolvendo a plataforma Rumble.

De acordo com o The New York Times, o governo americano contestou o pedido de Moraes para que a Rumble — bastante popular entre conservadores nos EUA — bloqueasse as contas de um brasileiro residente em solo americano, atualmente em processo de pedido de asilo político. O Departamento de Justiça afirmou que, embora o ministro tenha jurisdição no Brasil, ele não tem autoridade legal para impor decisões que afetem empresas operando nos Estados Unidos.

Moraes é o responsável pelo inquérito que investiga se o ex-presidente Jair Bolsonaro, aliado de Donald Trump, tentou dar um golpe de Estado após perder as eleições de 2022. Coincidentemente, um dia após o indiciamento de Bolsonaro, a Trump Media & Technology Group e a própria Rumble moveram uma ação judicial contra Moraes na justiça americana.

Restrição de vistos e possível aplicação da Lei Magnitsky

Na última quarta-feira (28), o senador americano Marco Rubio, anunciou uma nova política de restrição de vistos para autoridades estrangeiras acusadas de censurar a liberdade de expressão protegida nos EUA. Embora não tenha citado nomes diretamente, Rubio deixou claro que a América Latina está entre os focos dessa política, e o New York Times interpretou as medidas como um recado direto ao ministro Moraes.

Durante audiência no Congresso, Rubio afirmou: “Estamos considerando impor sanções. É bastante provável que isso ocorra.”

Uma das possibilidades em discussão é a aplicação da Lei Global Magnitsky, que autoriza o governo dos EUA a sancionar autoridades estrangeiras por corrupção ou graves violações de direitos humanos, incluindo o bloqueio de bens e a proibição de entrada no país.

A Lei Global Magnitsky foi criada em 2016 em homenagem ao advogado russo Sergei Magnitsky, morto na prisão após denunciar um esquema de corrupção. Sua aplicação a um ministro da mais alta corte brasileira seria um movimento inédito e altamente sensível no campo diplomático.

Reação do governo brasileiro

Diante das ameaças americanas, diplomatas brasileiros iniciaram contatos com o Departamento de Estado dos EUA. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, defendeu as decisões de Moraes como necessárias para preservar a democracia brasileira, especialmente após os atos de 8 de janeiro de 2023, quando extremistas invadiram o Congresso, o STF e o Palácio do Planalto.

Dentro do governo brasileiro, as restrições de visto são vistas como um mal menor, em comparação à aplicação da Lei Magnitsky. Ainda assim, um juiz federal dos EUA reconheceu que as ordens de Moraes não têm efeito legal dentro do território americano, e que ele não ordenou diretamente ações da Rumble nos Estados Unidos.

Bolsonaro Estados Unidos STF Trump DIPLOMACIA ALEXANDRE DE MORAES CENSURA LIBERDADE DE EXPRESSÃO VISTOS The New York Times Justiça americana Marco Rubio Rumble Lei Magnitsky

Leia também