Direitos Humanos

Governo brasileiro pedirá desculpas às famílias de desaparecidos políticos durante a ditadura

A cerimônia ocorrerá no Dia da Memória, da Verdade e da Justiça, com a presença da ministra Macaé Evaristo e aberto ao público

Famílias de mortos e desaparecidos políticos - Imagem: Reprodução / Agência Brasil / Wilson Dias

William Oliveira Publicado em 22/03/2025, às 13h34

O governo brasileiro anunciou que fará um pedido formal de desculpas à sociedade e às famílias dos desaparecidos políticos durante o regime militar, iniciado em 1964. A declaração será uma resposta à negligência observada entre 1990 e 2014 na identificação dos restos mortais encontrados na vala clandestina de Perus, localizada no Cemitério Dom Bosco, em São Paulo.

A vala de Perus, onde opositores do regime militar foram sepultados junto a indigentes, foi descoberta em 1990, com um total de 1.049 restos mortais. Para homenagear as vítimas da repressão, um monumento foi erguido no local.

Jorge Messiasele, advogado-geral da União, ressaltou a importância do reconhecimento da verdade: "Conhecer a verdade é o que nos permite avançar como sociedade rumo a um país verdadeiramente democrático". Ele expressou a esperança de que o pedido de desculpas traga algum conforto às famílias que sofreram com a violência estatal.

Informações do Instituto Vladimir Herzog indicam que muitos opositores do regime, assassinados durante a ditadura, foram enterrados como indigentes na vala, embora possuíssem fichas de identificação. Até o momento, apenas cinco ossadas foram reconhecidas: Dênis Casemiro (1991), Frederico Eduardo Mayr (1992), Flávio Carvalho Molina (2005), Dimas Antônio Casemiro (2018) e Aluísio Palhano Pedreira Ferreira (2018).

A cerimônia de desculpas acontecerá no próximo dia 24, data simbólica do Dia da Memória, da Verdade e da Justiça. O evento será conduzido pela ministra dos Direitos Humanos e Cidadania, Macaé Evaristo, e estará aberto ao público.

Essa iniciativa é fruto de um acordo judicial entre a União, representada pela Advocacia-Geral da União (AGU), e o Ministério Público Federal (MPF), homologado em 3 de dezembro de 2024.

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