Convenção nacional do PL reuniu aliados em São Paulo, marcou a primeira candidatura presidencial do senador e expôs o desafio de ampliar apoios para além do campo bolsonarista.
Ana Beatriz Silva Publicado em 25/07/2026, às 14h01
O senador Flávio Bolsonaro foi oficializado neste sábado, 25 de julho, como candidato do Partido Liberal à Presidência da República nas eleições de 2026. A confirmação ocorreu durante a convenção nacional do PL, realizada no Mercado Pago Hall, na Arena Pacaembu, em São Paulo.
O evento reuniu lideranças políticas de diferentes regiões do país e teve como principal presença internacional o presidente da Argentina, Javier Milei. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, o prefeito da capital paulista, Ricardo Nunes, o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, e o senador Rogério Marinho, coordenador da campanha, também participaram da convenção.
Ao subir ao palco, Milei foi recebido por Flávio e por dirigentes do partido. Em um momento descontraído registrado em vídeo, o presidente argentino dançou ao lado do candidato brasileiro diante dos apoiadores. A cena rapidamente ganhou repercussão nas redes sociais e reforçou o caráter político e simbólico da presença de Milei no lançamento.
O apoio do presidente argentino não começou na convenção. Milei já havia se encontrado com Flávio em Buenos Aires e manifestado publicamente apoio à candidatura do senador. Antes do evento do PL, o argentino recebeu do Governo de São Paulo a Ordem do Ipiranga, considerada a principal honraria concedida pelo estado, e participou de uma reunião com Tarcísio, Flávio e Ricardo Nunes.
Além da candidatura presidencial, a convenção homologou nomes do partido para disputas aos governos estaduais, ao Senado, à Câmara dos Deputados e às assembleias legislativas. O espaço reservado para o encontro atingiu a lotação prevista pela organização, que chegou a interromper a entrada de apoiadores por questões de segurança.
Flávio chega oficialmente à corrida presidencial sem um candidato a vice anunciado e ainda enfrenta dificuldades para formar uma aliança nacional com partidos de centro. Integrantes da coordenação da campanha já haviam informado que a chapa não deveria ser apresentada completa durante a convenção. A definição poderá ocorrer dentro do calendário estabelecido para as convenções partidárias.
A ausência de uma coligação mais ampla contrasta com o apoio demonstrado por lideranças paulistas durante o evento. Tarcísio e Ricardo Nunes participaram da convenção, enquanto outros dirigentes conservadores enviaram mensagens ou discursaram em defesa da candidatura. O principal desafio da campanha será transformar o apoio da base bolsonarista em uma composição política capaz de alcançar setores mais moderados do eleitorado.
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro não compareceu presencialmente. Em vídeo exibido durante a convenção, ela desejou proteção, sabedoria e força a Flávio e afirmou que permaneceu em Brasília para cuidar do ex-presidente Jair Bolsonaro. Eduardo e Carlos Bolsonaro também enviaram mensagens gravadas.
Esta será a primeira disputa de Flávio Bolsonaro pela Presidência da República. Filho mais velho de Jair Bolsonaro, ele exerceu quatro mandatos consecutivos como deputado estadual no Rio de Janeiro. Em 2016, concorreu à Prefeitura do Rio e terminou a eleição na quarta colocação.
Dois anos depois, foi eleito senador pelo Rio de Janeiro com aproximadamente 4,38 milhões de votos, correspondentes a 31,3% dos votos válidos. Seu mandato no Senado começou em 2019 e termina em 2027.
Com a candidatura homologada, Flávio passa agora da fase de articulação interna para a campanha oficial, ainda buscando definir o vice, consolidar alianças nacionais e ampliar seu alcance para além do eleitorado identificado diretamente com o ex-presidente Jair Bolsonaro.