Durante evento no STF, ministro afirmou que conflitos passaram a fazer parte da rotina institucional e defendeu fortalecimento da cultura democrática
Lívia Gennari Publicado em 19/05/2026, às 16h05
O presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, afirmou nesta terça-feira (19), que as democracias vivem um período de instabilidade contínua, marcado pela polarização política, pela velocidade da informação e pelo enfraquecimento de consensos institucionais. A declaração foi feita durante cerimônia em homenagem ao Dia Nacional da Defensoria Pública, realizada no salão nobre do STF.
Em discurso, o ministro disse que as crises deixaram de ser situações excepcionais e passaram a integrar de forma permanente a vida pública contemporânea. Segundo ele, o ambiente atual é caracterizado por conflitos constantes e pela dificuldade de construção de diálogo dentro das democracias.
As crises deixaram de ser exceção para converterem-se em paisagem permanente da vida pública contemporânea. O conflito tornou-se a gramática cotidiana do estado de direito e das democracias”, afirmou Fachin.
O presidente da Corte também destacou os impactos da disseminação acelerada de informações e da chamada “economia da atenção”, apontando que esses fatores contribuem para a confusão entre fatos, opiniões e espetáculos midiáticos. Na avaliação do ministro, esse cenário favorece a instabilidade institucional e amplia as tensões sociais e políticas.
A polarização fragmenta consensos mínimos; a velocidade da informação dissolve fronteiras entre fato, opinião e espetáculo”, declarou.
Durante a fala, Fachin defendeu a preservação das instituições democráticas como um dos pilares para enfrentar os desafios atuais. Ele ressaltou, no entanto, que a manutenção da democracia não depende apenas da existência formal das instituições, mas também do compromisso coletivo com valores ligados à liberdade e à convivência democrática.
Segundo o ministro, a sustentação do regime democrático exige participação ativa da sociedade e fortalecimento da cultura democrática diante das pressões políticas e sociais enfrentadas pelas instituições.