Sem acordo

EUA encerram negociação com o Brasil e indicam ampliação de exceções ao novo tarifaço

Chefe do USTR informou que recomendação final sobre as tarifas já foi encaminhada a Donald Trump, mas sinalizou a possibilidade de ampliar a lista de produtos isentos

Casa Branca conclui negociação comercial com o Brasil e prepara decisão sobre novas tarifas - Imagem: Reprodução/Kevin Dietsch/Getty Images via AFP

Julio Cezar Souza Publicado em 15/07/2026, às 12h21

O governo brasileiro recebeu, nesta terça-feira (14), a indicação de que a recomendação final sobre as novas tarifas impostas pelos Estados Unidos aos produtos brasileiros já foi encaminhada ao presidente Donald Trump. A informação foi transmitida pelo chefe do Escritório do Representante Comercial da Casa Branca (USTR), Jamieson Greer, durante a última reunião entre representantes dos dois países.

Segundo relatos de integrantes do governo federal, Greer informou que as negociações foram encerradas e criticou o que classificou como falta de empenho do Brasil nas tratativas comerciais.

Representantes brasileiros rebateram a avaliação durante o encontro. Participaram da reunião o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, além dos embaixadores Maurício Lyrio, um dos principais negociadores do Itamaraty, e Audo Faleiro, assessor internacional da Presidência da República.

De acordo com interlocutores, a equipe brasileira argumentou que a investigação conduzida pelos Estados Unidos no âmbito da Seção 301 carece de fundamentação técnica. Entre os pontos contestados estão as críticas relacionadas ao desmatamento na Amazônia, que, segundo o governo, não refletem os indicadores mais recentes.

Os negociadores também lembraram que o Brasil chegou a propor uma redução das tarifas de importação sobre o etanol em troca de maior acesso do açúcar brasileiro ao mercado americano, proposta que, segundo os relatos, foi rejeitada pelo USTR.

Apesar do encerramento das negociações, Greer indicou que poderá haver ampliação da lista de produtos brasileiros que ficarão fora da nova taxação. Segundo fontes do governo, o representante americano afirmou que não haverá uma "lista dinâmica" de exceções, indicando que não estão previstas ampliações graduais após o anúncio oficial das medidas.

Ainda assim, ele afirmou ter considerado os argumentos apresentados pelo governo brasileiro e pelo setor privado sobre a necessidade de ampliar, desde o início, o número de produtos isentos.

Durante a reunião, os representantes brasileiros destacaram que parte significativa do comércio bilateral envolve subsidiárias de empresas americanas instaladas no Brasil, responsáveis pela exportação de componentes industriais para suas matrizes nos Estados Unidos. A avaliação no Palácio do Planalto é que esse argumento foi recebido de forma positiva pelo lado americano.

Atualmente, a projeção do governo é de que o novo tarifaço alcance cerca de 21% das exportações brasileiras destinadas aos Estados Unidos, em valores. A expectativa é que a ampliação das exceções reduza esse impacto.

Mesmo após declarar encerradas as negociações, Greer demonstrou disposição para manter o diálogo entre os dois governos. Antes do fim da reunião, representantes brasileiros reforçaram a intenção de continuar negociando e afirmaram ao chefe do USTR: "Nós estamos aqui".

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