Magistrado da 2ª Vara Criminal de Rio Preto aceita queixa-crime e aponta que críticas de vereador extrapolaram os limites da liberdade de expressão ao atingir a honra do atual prefeito
Marina Roveda Publicado em 17/04/2026, às 08h43
O cenário político de São José do Rio Preto ganha novos contornos jurídicos com o avanço do processo movido pelo Coronel Fábio Cândido contra o vereador João Paulo Rillo. Em decisão recente, a Justiça local determinou a retirada imediata de vídeos das redes sociais que vinculavam o nome do prefeito a supostas práticas de "ameaça" e "violência política". A decisão liminar baseou-se no entendimento de que as publicações não possuíam lastro fático e causavam danos contínuos à imagem pública do oficial da reserva.
O centro da disputa jurídica reside na delimitação do exercício do mandato parlamentar. Enquanto a defesa do vereador costuma evocar a imunidade para discursos na tribuna, o juiz Vinícius Nunes Abbud destacou que tal prerrogativa não é absoluta. De acordo com os autos, as falas de Rillo transbordaram para o campo da difamação pessoal, ao imputar ao Coronel Fábio condutas que desabonam sua trajetória de décadas na Polícia Militar e sua atual gestão no Executivo Municipal.
A queixa-crime, agora oficialmente recebida pelo Poder Judiciário, sustenta que a narrativa criada pelo parlamentar visava apenas o desgaste político através do estigma social. Com a citação do réu para apresentar defesa em dez dias, o processo entra em fase de instrução, colocando sob análise o rigor das provas apresentadas pela acusação.
A decisão é vista por especialistas como um precedente importante sobre o uso de redes sociais por agentes públicos. Ao determinar a remoção do conteúdo sob pena de multa, o Judiciário sinaliza que a crítica política, embora livre e necessária, deve preservar a dignidade das instituições e das pessoas envolvidas.
Pelo lado do Coronel Fábio Cândido, a ação é tratada como um ato de preservação institucional. A petição inicial ressalta que o histórico do Coronel é pautado pela retidão e cumprimento da lei, e que o silêncio diante de acusações graves poderia ser interpretado como anuência.
Próximos passos
Com o recebimento da denúncia, o caso seguirá para a fase de coleta de depoimentos e análise de provas documentais. O desfecho da ação penal privada poderá impactar não apenas a relação entre os poderes Legislativo e Executivo em Rio Preto, mas também estabelecer novos critérios para o debate público na região, priorizando a verdade dos fatos em detrimento de ataques pessoais.