Evento em Brasília contou com a ministra Macaé Evaristo e o deputado Reimont, selando a unidade do setorial em torno da nova liderança
Redação Publicado em 03/12/2025, às 10h02
O Encontro Nacional do Setorial de Direitos Humanos do Partido dos Trabalhadores definiu, neste fim de semana (29 e 30 de novembro), a nova direção da pasta. Pedro Batista foi aclamado Secretário Nacional, consolidando a vitória da tese "Unidade nos Direitos Humanos". A escolha marca uma nova fase para o partido, que busca profissionalizar a militância e organizar o enfrentamento político à extrema direita visando as eleições de 2026.
O encontro serviu também como demonstração de prestígio da nova gestão, reunindo nomes de peso da pauta humanitária, como a ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania, Macaé Evaristo, e o deputado federal Reimont (PT-RJ), atual presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara.
Alinhamento entre Executivo e Legislativo
A presença de Macaé Evaristo foi lida internamente como um sinal claro de sintonia entre a nova secretaria partidária e o Palácio do Planalto. Em sua fala, a ministra pontuou a necessidade de um PT organizado para dar capilaridade às políticas de inclusão retomadas no terceiro governo Lula.
No mesmo tom, o deputado Reimont reforçou a urgência de conectar as ruas ao Parlamento. A proximidade dele com Pedro Batista reforça um dos pilares da nova gestão: a criação de uma "Rede de Parlamentares Petistas em Direitos Humanos", buscando alinhar a atuação legislativa com a base militante.
Reestruturação e Descentralização
Gestor público com passagem pelo governo Haddad em São Paulo e doutorando em Ciências da Educação, Pedro Batista, que é um homem negro formado nas Comunidades Eclesiais de Base, assume com a promessa de descentralizar as decisões.
A tese aprovada prevê mudanças práticas na estrutura do setorial, fugindo da centralização em Brasília. Entre as prioridades estão a criação de cinco coordenações regionais (Norte, Nordeste, Centro-Oeste, Sudeste e Sul) e a instalação de um Conselho Político com ex-ministros e intelectuais para qualificar o debate. O objetivo final é claro: transformar o setorial em uma ferramenta estratégica para a reeleição de Lula.
"A extrema direita opera na desumanização"
Logo após sua aclamação, Batista conversou com a reportagem e destacou que a pauta humanitária não é acessória, mas o centro da disputa política contra o bolsonarismo e o fascismo:
"O momento exige firmeza. A extrema direita é, por essência, desumana, abjeta e cruel. Ela opera politicamente a partir da desumanização do outro, criando inimigos imaginários para justificar o autoritarismo. Quando eles espalham ódio e mentiras, estão corroendo a democracia. Direitos Humanos e democracia são indissociáveis; se um cai, o outro cai junto. Não dá para recuar."
Ele destacou que a prioridade de sua gestão será estruturar e fortalecer o setorial nacionalmente, com atenção especial às regionais e ao Conselho Político, de forma a profissionalizar a atuação do partido e disputar a narrativa de maneira eficaz. Apesar da derrota eleitoral da extrema direita, Batista alerta que o apetite autoritário ainda persiste e que será necessário enfrentar esse desafio de forma organizada. Segundo ele, "O primeiro passo é organizar a casa nacionalmente."
Questionado sobre o impacto da desinformação na pauta de Direitos Humanos, Batista ressaltou: "As fake news não são apenas ruído, elas matam. Vimos isso na pandemia e vemos na violência política diária. Nossa resposta será técnica e política: vamos lançar um Observatório Nacional de Desinformação e Direitos Humanos. Precisamos monitorar padrões e educar nossa base. O enfrentamento ao fascismo digital exige inteligência e mobilização permanente."
"Essa é uma fraude intelectual criada para manipular o medo da população. Direitos Humanos defendem o povo: a criança na escola, o idoso na fila do SUS, a mulher que sofre violência doméstica, o trabalhador. E, principalmente, protege o cidadão quando o Estado comete abusos. Sem Direitos Humanos, qualquer um vira alvo. É essa consciência que precisamos levar para a ponta", completou Batista.
Ao tratar da descentralização e da relação com a base e os movimentos sociais, Batista enfatiza que a mudança é profunda: "Muda tudo. Acabou a época de decisões de cima para baixo. Movimentos sociais não são satélites do partido, são a espinha dorsal da democracia. O PT só tem força quando está enraizado onde o povo vive, sofre e sonha. Vamos investir em formação e presença nos territórios."
Concluindo a entrevista, Batista compartilhou sua visão para os próximos anos à frente da secretaria:
"Quero ajudar a construir um PT que lidere um projeto de país pautado na dignidade. Um Brasil onde uma criança indígena ou um jovem negro não sejam alvos; onde a população LGBT+ e as mulheres vivam sem medo. A nossa luta contra o fascismo é, antes de tudo, uma luta para resgatar a humanidade nas relações sociais."