Parceria prevê troca de informações e investigações conjuntas; ligação entre PCC e ‘Ndrangheta está no foco da cooperação
Lívia Gennari Publicado em 26/06/2025, às 13h21
O Ministério Público de São Paulo (MPSP) e a Procuradoria Nacional Antimáfia e Antiterrorismo da Itália formalizaram, nesta quarta-feira (25/6), um acordo de cooperação técnica voltado ao enfrentamento de organizações criminosas transnacionais. Assinado na capital, o acordo estabelece a troca de informações, o intercâmbio de experiências, a capacitação de servidores e a formação de equipes de investigação conjuntas.
O objetivo é reforçar o enfrentamento a organizações criminosas de atuação transnacional, como a ‘Ndrangheta, uma máfia da Calábria, apontada como a mais influente da Europa, que possui uma relação comprovada com o Primeiro Comando da Capital (PCC), maior facção criminosa do Brasil.
A parceria entre as duas instituições ocorre no âmbito da da Convenção das Nações Unidas contra o Crime Organizado Transnacional, também conhecida como Convenção de Palermo, que promove a cooperação internacional como ferramenta essencial no combate às máfias e outros grupos criminosos.
Durante o evento, o procurador nacional Antimáfia da Itália, Giovanni Melillo, elogiou a atuação do Ministério Público paulista e defendeu a necessidade de diálogo constante entre os dois países.
"Precisamos de canais de comunicação contínua”, afirmou Melillo.
Para o procurador-geral de Justiça em exercício, Fernando José Martins, a colaboração internacional é indispensável. “Em um mundo cada vez mais interconectado, a cooperação é essencial para enfrentarmos os desafios impostos pelo crime organizado”, disse.
Presente à mesa diretora da reunião de trabalho, o promotor Lincoln Gakiya, do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), também celebrou a parceria. “Hoje é um dia de festa para o Ministério Público. O crescimento das máfias, inclusive no Brasil, nos preocupa há muitos anos”, destacou.
Aliança entre PCC e máfia italiana
De acordo com as investigações conduzidas pelo MPSP, a ‘Ndrangheta é atualmente o principal cliente do PCC no tráfico internacional de drogas. A facção brasileira vem ampliando sua presença na Europa, recrutando novos integrantes e adotando estratégias para proteger seus lucros da atuação das autoridades.
A aliança entre as duas organizações revela o alcance global do crime organizado, e reforça a urgência de ações conjuntas entre os países para conter seu avanço. O novo acordo Brasil-Itália é mais um passo nessa direção.