Internacional

Brasil e EUA fecham acordo de cooperação contra o crime organizado

Parceria prevê troca de dados em tempo real e uso de tecnologia para rastrear armas e drogas em cargas entre os dois países

Acordo entre Brasil e EUA mira tráfico de armas e drogas. - Imagem: Reprodução/PR.

Erika Osti Publicado em 10/04/2026, às 14h12

Os governos do Brasil e dos Estados Unidos anunciaram nesta sexta-feira (10) um acordo de cooperação para reforçar o combate ao crime organizado internacional, com foco no tráfico de armas e drogas. A iniciativa envolve a integração de sistemas da Receita Federal brasileira com a agência de fronteiras norte-americana, permitindo o compartilhamento em tempo real de informações estratégicas sobre cargas suspeitas, além da realização de ações coordenadas para interceptar remessas ilegais.

O anúncio foi feito pelo Ministério da Fazenda e marca um avanço nas relações bilaterais após conversas entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente norte-americano Donald Trump. Segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan, trata-se do primeiro passo concreto de uma agenda mais ampla de cooperação entre os dois países na área de segurança e inteligência.

Na prática, o acordo estabelece uma troca contínua de dados sobre envios de armas, munições, peças e outros materiais considerados sensíveis, além de drogas. As informações incluem detalhes logísticos, origem das cargas, identificação de remetentes e possíveis rotas utilizadas por organizações criminosas. O objetivo é ampliar a capacidade de rastreamento internacional e impedir que esses itens circulem entre os países.

Um dos principais instrumentos da parceria é o chamado “remote targeting”, sistema que permite a análise remota de contêineres ainda na origem. Por meio de uma espécie de raio-x, autoridades americanas poderão examinar cargas destinadas ao Brasil e compartilhar imagens e relatórios de inteligência antes mesmo da chegada ao destino. Esses dados são cruzados com informações brasileiras, criando um fluxo contínuo de monitoramento.

O acordo também prevê o uso de ferramentas como o Programa Desarma, sistema informatizado da Receita Federal que organiza dados de apreensões e facilita o rastreamento de armas e componentes. A plataforma permite identificar padrões, mapear redes criminosas e emitir alertas automáticos para autoridades dos países envolvidos sempre que cargas suspeitas forem detectadas.

Além do combate direto ao tráfico, a cooperação inclui o intercâmbio de informações de inteligência financeira, considerado essencial para atingir a estrutura econômica das organizações criminosas. Segundo Durigan, a expectativa é que a parceria aumente a efetividade das ações e contribua para reduzir a circulação de armas no Brasil.

Dados apresentados pelo governo mostram a dimensão do problema. Apenas no primeiro trimestre de 2026, mais de 1,5 tonelada de drogas com origem nos Estados Unidos foi apreendida no Brasil. Nos últimos 12 meses, também foram interceptadas mais de mil peças de armas provenientes do país norte-americano, evidenciando a relevância do fluxo internacional no abastecimento do crime.

O acordo surge em um momento de maior pressão internacional por ações coordenadas contra facções criminosas. Nos Estados Unidos, há discussões sobre a possibilidade de classificar grupos estrangeiros como organizações terroristas, hipótese rejeitada pelo governo brasileiro e que, segundo o Ministério da Fazenda, não fez parte das negociações recentes.

A expectativa do governo é que a nova etapa de cooperação abra caminho para outros acordos bilaterais, ampliando a integração entre forças de segurança, órgãos de inteligência e autoridades aduaneiras dos dois países.

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