O Roteiro de Baku a Belém propõe medidas concretas para países em desenvolvimento acessarem recursos financeiros e pressiona líderes globais por ação climática acelerada
William Oliveira Publicado em 06/11/2025, às 12h44
Após um ano de intensas negociações, o Brasil, anfitrião da COP30, divulgou na quarta-feira (6) um ambicioso plano para elevar o financiamento climático global a US$ 1,3 trilhão por ano. A divulgação ocorre em momento crítico, enquanto Belém se prepara para receber líderes internacionais e enfrentar os desafios políticos que se aproximam.
O documento, chamado Roteiro de Baku a Belém, tem quase 100 páginas e é resultado de meses de diálogo com diversas partes interessadas desde a COP anterior, realizada no Azerbaijão. O aumento do financiamento é considerado essencial para manter a credibilidade das iniciativas climáticas internacionais, especialmente em um cenário de crescimento das emissões, que coloca em risco países mais vulneráveis a desastres climáticos.
Novos obstáculos surgiram quando a União Europeia anunciou um acordo para reduzir suas emissões em 90% até 2040, mas com uma flexibilidade que compromete a efetividade da medida. Jeroen Gerlag, diretor do escritório europeu do Climate Group, criticou:
"A UE fez uma escolha perigosa hoje. É um sinal decepcionante de liderança, já que estamos indo para a COP30."
Enquanto isso, as instalações para o evento em Belém estão em fase final de construção. A área destinada aos discursos dos líderes está quase concluída, com ajustes finais na disposição de móveis e decoração.
Outro desafio para o Brasil surgiu com a recusa do Reino Unido em destinar recursos financeiros ao Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), que tem como meta arrecadar US$ 125 bilhões. Fontes informaram à Reuters que a decisão gerou descontentamento no presidente Luiz Inácio Lula da Silva, após sua solicitação pessoal ao primeiro-ministro Keir Starmer na última sexta-feira.
Na busca por apoio financeiro, Lula também se encontrou com Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia; Alexander Stubb, presidente da Finlândia; e Ding Xuexiang, vice-primeiro-ministro da China.