Em depoimento ao STF, Jair Bolsonaro revelou que avaliou formas de barrar a posse de Lula em 2022
William Oliveira Publicado em 11/06/2025, às 13h16
O ex-presidente Jair Bolsonaro, atualmente réu em um processo que investiga uma suposta trama golpista, prestou depoimento ao Supremo Tribunal Federal (STF) nesta terça-feira (10). Durante o interrogatório, Bolsonaro negou ter editado ou tido contato com a minuta supostamente relacionada a um golpe de Estado.
Ele reconheceu que esteve presente durante a apresentação de um decreto com medidas contrárias às normas da Justiça Eleitoral, mas enfatizou que o documento não possuía cabeçalho e foi exibido de forma rápida e superficial.
Bolsonaro reafirmou suas críticas às urnas eletrônicas e questionou decisões do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Também declarou que não participou da cerimônia de posse nem transferiu a faixa presidencial a Luiz Inácio Lula da Silva, alegando que não aceitaria a situação por prever vaias durante o evento.
“Quando se fala em minuta, dá a entender que é uma minuta do mal. Da nossa parte, eu sempre estive do lado da Constituição, então refuto qualquer possibilidade de falar em minuta de golpe ou algo fora da Constituição brasileira”, afirmou Bolsonaro durante a defesa.
O ex-presidente disse ainda não ter conhecimento de qualquer documento que previsse a prisão de autoridades e argumentou que o grupo ao seu redor não pretendia buscar soluções fora da legalidade. “Se tivesse que ser feito alguma coisa, seria lá atrás, via Congresso Nacional, o que não foi feito. Então, tínhamos que entubar o resultado das eleições”, declarou.
Ele ressaltou que um golpe não poderia ser efetivado com a atuação de poucas pessoas. Ao comentar o golpe militar de 1964, Bolsonaro afirmou que houve apoio expressivo da sociedade na época, incluindo o Congresso Nacional e setores da imprensa.
No entanto, admitiu ter discutido alternativas para contestar o resultado eleitoral de forma constitucional. “As conversas eram bastante informais para ver se existia alguma hipótese de um dispositivo constitucional para nós atingirmos um objetivo que não tínhamos atingido no TSE. Isso foi descartado logo na primeira, segunda reunião”, explicou.
Na véspera do depoimento de Bolsonaro, Mauro Cid — ex-ajudante de ordens do ex-presidente e primeiro réu a depor nesta fase do processo — afirmou que Bolsonaro recebeu e solicitou alterações na minuta que previa contestar o resultado eleitoral e impedir a posse de Lula.
“Em nenhum momento eu, minha defesa ou os comandos de força pensamos em fazer algo ao arrepio da lei”, declarou Bolsonaro ao comentar o papel das Forças Armadas.
Por fim, reiterou sua decisão de não ter passado a faixa presidencial: “Eu não ia me submeter a maior vaia da história do Brasil. Passar a faixa para esse atual mandatário que está aí”.