POLÊMICA EM PRAIA GRANDE

Após fala sobre indígenas, vereadora do PL é denunciada por racismo e vira alvo de investigação

Declarações de Eduarda Campopiano sobre povos originários durante podcast motivaram denúncia apresentada pela liderança indígena Katú Mirim.

Eduarda Campopiano (PL) enfrenta nova polêmica após ser denunciada por fala sobre povos indígenas dias depois de registrar ocorrência por importunação sexual durante gravação de podcast. - Imagem: Reprodução

Redação Publicado em 01/06/2026, às 10h27

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A vereadora de Praia Grande, Eduarda Campopiano (PL), voltou ao centro de uma controvérsia nacional poucos dias após denunciar ter sido vítima de importunação sexual durante a gravação de um podcast. Agora, a parlamentar é alvo de uma denúncia por preconceito racial após declarações sobre povos indígenas feitas no mesmo programa.

O episódio ocorreu durante uma gravação do podcast RedCast, que promovia um debate entre participantes com visões opostas sobre religião, feminismo e sociedade. Em determinado momento da discussão, Eduarda defendeu a colonização do Brasil e afirmou que os povos indígenas praticavam canibalismo e matavam crianças, além de agradecer pela catequização promovida pelos colonizadores.

As declarações provocaram forte reação nas redes sociais e levaram a artista, ativista e liderança indígena Katú Mirim a registrar um boletim de ocorrência por preconceito de raça ou cor. Segundo a denúncia, as falas da vereadora reforçam estereótipos históricos e atingem diretamente a cultura, a identidade e a história dos povos originários.

Em nota pública, Katú Mirim destacou que a colonização brasileira foi marcada por episódios de violência, escravização, expulsão de territórios, catequização forçada e genocídio indígena. Para a ativista, celebrar esse processo representa uma ofensa às populações que sofreram os impactos históricos da ocupação europeia.

A polêmica ganhou ainda mais repercussão porque ocorreu no mesmo programa em que Eduarda denunciou ter sido vítima de importunação sexual. Durante o debate, a participante Savani Shakti fez comentários de cunho sexual direcionados à vereadora, afirmando sentir atração por ela e utilizando expressões consideradas invasivas.

Após o episódio, Eduarda registrou ocorrência na Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Praia Grande. O caso passou a ser investigado como possível importunação sexual. Em manifestação pública, a parlamentar afirmou que as falas tiveram o objetivo de constrangê-la e desestabilizá-la durante o debate.

Agora, as duas ocorrências seguem em apuração pelas autoridades. A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo confirmou que tanto a denúncia de importunação sexual quanto a acusação de preconceito racial estão sendo analisadas pela Polícia Civil.

O caso abriu um novo debate nas redes sociais. Enquanto apoiadores da vereadora defendem sua liberdade de expressão e afirmam que as declarações foram retiradas de contexto, críticos apontam que representantes públicos devem ter responsabilidade ao tratar de temas históricos e culturais relacionados aos povos indígenas.

A repercussão também ampliou a discussão sobre os limites entre opinião, discurso político e possíveis práticas discriminatórias, especialmente quando envolvem grupos historicamente vulneráveis.

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