Ministro do STF afirma que seguirá julgamento de Bolsonaro “sem recuar um milímetro”
Manoela Cardozo Publicado em 18/08/2025, às 10h31
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou que não pretende recuar em suas decisões no caso que envolve o ex-presidente Jair Bolsonaro. Em entrevista publicada nesta segunda-feira (18) pelo jornal norte-americano The Washington Post, ele disse que “não existe a menor possibilidade de recuar nem milímetro sequer”.
A declaração foi feita dias após o governo dos Estados Unidos sancioná-lo com base na Lei Magnitsky, mecanismo usado para punir autoridades estrangeiras acusadas de abusos. A Casa Branca, sob a gestão de Donald Trump, acusou Moraes de promover uma “caça às bruxas” contra Bolsonaro. O ministro rejeitou a crítica e afirmou que seguirá o devido processo legal: “Receberemos a acusação, analisaremos as provas, e quem deve ser condenado será condenado, e quem deve ser absolvido será absolvido”.
Além das sanções, Moraes foi alvo de ataques de integrantes do alto escalão do governo Trump e do próprio republicano. A ofensiva ocorre em meio à preparação da Suprema Corte para um julgamento crucial envolvendo Bolsonaro. A Primeira Turma do STF marcou para o período entre 2 e 12 de setembro a análise do núcleo central da chamada “trama golpista”, no qual o ex-presidente é investigado.
Durante a entrevista, Moraes fez referência direta ao julgamento e foi apelidado pelo Washington Post de “xerife da democracia”. O jornal destacou que seus “decretos expansivos” tiveram repercussão internacional, sobretudo quando atingiram plataformas digitais como o X, rede social de Elon Musk.
Questionado sobre as críticas à sua atuação, Moraes disse acreditar que parte da incompreensão vem de diferenças culturais entre Brasil e Estados Unidos. “Entendo que, para uma cultura americana, seja mais difícil compreender a fragilidade da democracia porque nunca houve um golpe lá”, afirmou.
O ministro ressaltou que a história brasileira, marcada por períodos de autoritarismo, explica a postura mais rigorosa adotada pelo STF. “O Brasil teve anos de ditadura sob Getúlio Vargas, outros 20 anos de ditadura militar e inúmeras tentativas de golpe. Quando você é muito mais atacado por uma doença, forma anticorpos mais fortes e busca uma vacina preventiva”, afirmou.
Sobre as acusações feitas por apoiadores de Bolsonaro, Moraes classificou-as como “narrativas falsas”. Segundo ele, essas versões distorcidas prejudicam a relação entre Brasil e Estados Unidos, países que, nas suas palavras, são “aliados históricos”.