Defesa de Henrique Velozo, tenente reintegrado à corporação, diz que o júri reconheceu a legítima defesa
Lívia Gennari Publicado em 28/11/2025, às 14h00
O advogado Tiago Pereira Chambo de Souza, representante do tenente Henrique Velozo, afirma que a absolvição do policial militar pela morte do lutador de jiu-jítsu Leandro Lo foi “correta e justa”.
Em entrevista exclusiva ao Diário de São Paulo, o advogado disse que os jurados tiveram acesso a todas as provas periciais e testemunhais e concluíram, por unanimidade, que o PM agiu em legítima defesa durante a confusão que terminou com o disparo que matou o atleta, em agosto de 2022.
Segundo ele, a denúncia do Ministério Público foi apresentada “sem esperar os laudos periciais” e sustentada por “inverdades”, o que, afirma, não se confirmou no julgamento. “As provas demonstram sem sombra de dúvidas que Henrique Velozo já havia sido agredido por Leandro", disse.
Como a defesa enxerga a absolvição do PM
Chambo aponta uma série de elementos apresentados no plenário do júri que, segundo ele, foram decisivos para a decisão unânime dos jurados. Entre eles, a reconstituição dos fatos, os laudos balísticos e o depoimento do delegado responsável pelo caso.
O advogado cita ainda contradições nos relatos de testemunhas de acusação, que segundo ele eram “amigas da vítima”, e a fala de testemunhas que descrevem consumo de "produtos ilícitos" e confusão na casa noturna. A trajetória do disparo, o fato de o PM ter efetuado apenas um tiro mesmo portando mais munições e a posição do corpo de Leandro Lo após ser atingido foram citados como pontos que reforçaram a tese de legítima defesa.
Para a defesa, também pesou o fato de que um dos amigos do lutador teria tentado tomar a arma do PM segundos antes do disparo.
Não há nos autos qualquer prova que seja contrária à atuação de Henrique Velozo”, resumiu.
Críticas à acusação
O advogado afirma que o comportamento do Ministério Público prejudicou o andamento da sessão. Segundo ele, o promotor responsável “faltou com respeito”, usando palavrões e chamando defensores de “moleques”.
Chambo diz ainda que houve “despreparo” por parte dos assistentes de acusação, o que, segundo sua avaliação, prolongou as oitivas com perguntas repetidas.
Reintegração à PM e disputa administrativa
Velozo foi reintegrado à Polícia Militar após decisão liminar do Tribunal de Justiça de São Paulo, que anulou a demissão decretada pelo governador Tarcísio de Freitas meses antes da absolvição. Para o advogado, a demissão foi “precipitada” e violou o devido processo legal, já que o procedimento administrativo ainda estava em fase de recurso.
A PM não aguardou o julgamento do júri para continuar o processo administrativo. Isso viola a presunção de inocência e a irredutibilidade salarial”, afirma.
Apesar de ter passado 3 anos, 3 meses e 6 dias preso preventivamente, a defesa afirma que, por ora, não pretende ingressar com pedido de reparação ou indenização. Segundo Chambo, o tenente está focado em se reestruturar psicologicamente após o período encarcerado.
Reação do PM e mensagem à sociedade
Segundo a defesa, Velozo recebeu com “muita satisfação” a decisão que anulou sua demissão. Ele teria visto a liminar como um reconhecimento de que sua exclusão da corporação foi ilegal.
Ao final da entrevista, o advogado transmitiu uma mensagem do tenente:
A mensagem que Henrique Velozo deixa à sociedade é que Deus o ajudou muito a passar por anos em tamanha prova e injustiça, além de um pedido de desculpas a todos os familiares, amigos e todos aqueles que gostavam de Leandro Lo", disse.
O advogado ainda afirmou que o tenente não houve intenção de matar o lutador:
Em momento algum, ele teve a intenção de tirar a vida da vítima, mas foi submetido a uma situação extrema, na qual teve que matar para não morrer”, afirmou a defesa do PM.