Policial civil é preso em SP por suspeita de golpes

Cyllas Salerno Elia Júnior, fundador da 2GO Bank, já havia sido preso em operação da PF e citado em delação ligada ao PCC

Cyllas já havia sido investigado pela PF em esquema que movimentou R$ 6 bilhões - Imagem: Rogerio Vieira/Valor

Lívia Gennari Publicado em 15/09/2025, às 11h12

O policial civil Cyllas Salerno Elia Júnior, fundador e CEO da fintech 2GO Bank, foi preso no último domingo (14), pela Corregedoria da Polícia Civil de São Paulo, sob suspeita de participação em um esquema de golpes financeiros contra moradores do Jardim Pantanal, na zona leste da capital.

Segundo a Secretaria da Segurança Pública (SSP), além da prisão, agentes cumpriram mandados de busca em cinco endereços autorizados pela Justiça. O policial já era alvo de investigações conduzidas pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) e pela Polícia Federal (PF). A SSP-SP ainda informou que Cyllas já estava afastado da corporação, desde o final de 2022.

Histórico de prisões

Essa não é a primeira vez que o nome de Cyllas aparece em operações contra crimes financeiros. Em fevereiro deste ano, ele chegou a ser preso durante investigações que envolvem as fintechs 2GO Bank e Invbank, deflagradas após a delação de Vinicius Gritzbach, ex-aliado do Primeiro Comando da Capital (PCC) assassinado em novembro de 2024, no Aeroporto Internacional de Guarulhos.

Cyllas também foi alvo da Operação Tai-Pan, da PF, que investigou movimentações suspeitas de cerca de R$ 6 bilhões ao longo de cinco anos. Na ocasião, ele acabou solto por decisão da Justiça Federal, mas permaneceu afastado das funções e passou a responder a um processo administrativo na Corregedoria.

Gritzbach citou o policial em delação

Ex-integrante do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), o policial Cyllas Salerno Elia Júnior foi citado no fim de outubro de 2024 por Vinicius Gritzbach, em depoimento à Corregedoria da Polícia Civil. Segundo o delator, Cyllas teria atuado como sócio de Anselmo Santa Fausta, o Cara Preta, e Rafael Maeda Pires, o Japa – apontados como lideranças do PCC – na gestão da 2GO Bank, fintech investigada por movimentações financeiras suspeitas.

O depoimento ocorreu oito dias antes do assassinato de Gritzbach, que foi executado a tiros de fuzil ao desembarcar no Aeroporto Internacional de Guarulhos, reforçando a proximidade entre os envolvidos e a gravidade das investigações.

A prisão de Cyllas Salerno Elia Júnior é temporária, determinada pela Corregedoria da Polícia Civil, e faz parte das investigações sobre o suposto esquema de golpes financeiros. Ele deve responder aos procedimentos administrativos enquanto as apurações seguem em andamento.

PCC polícia civil Polícia Federal OPERAÇÃO VINICIUS GRITZBACH Cyllas Salerno Elia Júnior

Leia também