Os suspeitos foram detidos enquanto tentavam acessar o sistema da Caixa Econômica Federal para desviar valores

Gabriela Thier Publicado em 14/09/2025, às 20h24
A Polícia Federal(PF) realizou, na madrugada da última sexta-feira (12), a prisão de oito indivíduos suspeitos de pertencer a uma organização criminosa dedicada a ataques cibernéticos direcionados ao sistema financeiro brasileiro. Este grupo é investigado por fraudes que totalizam cerca de R$1,2 bilhão.
Os agentes da PF abordaram os suspeitos em um imóvel onde eles se reuniam, no momento em que tentavam realizar acessos indevidos ao sistema da Caixa Econômica Federal, com o intuito de desviar valores através do PIX.
No local, foi apreendida uma estação de trabalho pertencente à Caixa, que possibilitava acesso privilegiado ao sistema interno da instituição, incluindo senhas e dados do PIX. Com este equipamento, o grupo planejava movimentar recursos de forma ilegal.
Conforme as investigações, os suspeitos teriam furtado um computador da Caixa em uma agência localizada no Brás, área central de São Paulo, e posteriormente entregado o dispositivo a outros indivíduos em um veículo, levando-o para o imóvel onde foram detidos pela PF.
Os presos foram identificados como José Elvis dos Anjos Silva, Fernando Vieira da Silva, Rafael Alves Loia, Marcos Vinícius dos Santos, Klayton Leandro Matos de Paulo, Guilherme Marques Peixoto, Nicollas Gabriel Pytlak e Maicon Douglas de Souza Ribeiro Rocha. A reportagem não conseguiu contato com as defesas dos envolvidos.
A Justiça Federal confirmou as prisões em flagrante durante a audiência de custódia, que foram posteriormente convertidas em prisão preventiva. As idades dos detidos variam entre 22 e 46 anos.
As investigações também sugerem que os acusados possam estar envolvidos em dois outros grandes desvios: um ataque ocorrido em junho contra o BMP, que causou um prejuízo estimado de R$ 800 milhões, e um ataque mais recente a uma plataforma tecnológica vinculada ao PIX, resultando em um desvio aproximado de R$ 400 milhões.
Em mensagens interceptadas pela PF, o grupo menciona que um membro executou o ataque ao sistema da Sinqia, o qual facilitou operações financeiras via PIX. Somados, esses incidentes totalizam prejuízos superiores a R$1,2 bilhão para o sistema financeiro nacional.
A investigação prossegue com o objetivo de identificar outros participantes e mapear a extensão das fraudes. A PF também está averiguando se há envolvimento de pessoas ligadas a instituições financeiras.
A advogada Silvia de França Gonçalves, representante legal de dois dos detidos (Rafael Alves e José Elvis), afirmou à GloboNews que seus clientes não tiveram participação nos crimes apontados pela PF e argumentou que "não há indícios de autoria" contra eles. Ela solicitou a soltura dos clientes durante a audiência de custódia, pedido que foi negado pelo Judiciário.
Durante a audiência de custódia, os investigados negaram envolvimento nos crimes. O grupo conta com membros sem antecedentes criminais e outros que já enfrentaram processos por delitos anteriores.
Os suspeitos alegaram que houve violência policial durante as prisões. O juiz federal José Bovino Greggio registrou no documento da audiência que "remeta-se cópia dos autos à Corregedoria da Polícia Federal para apuração das alegações de violência policial. O presente termo servirá como ofício". A reportagem também buscou um posicionamento da PF sobre essa alegação.
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