Investigação aponta que Fabrício Gomes de Santana foi reconhecido, rendido e morto por criminosos
Lívia Gennari Publicado em 11/01/2026, às 18h03
A Polícia Civil trabalha com a hipótese de que o policial militar Fabrício Gomes de Santana, de 40 anos, desaparecido desde a noite de quarta-feira (7), tenha sido morto após passar por um “julgamento” imposto pelo crime organizado na Zona Sul da capital. A linha de investigação foi apresentada durante entrevista coletiva na tarde deste domingo (11).
Segundo as autoridades, o PM participava de uma confraternização com um amigo na região, quando ocorreu um desentendimento com um homem que consumia drogas no local. Após ser repreendido, o indivíduo teria se retirado e procurado integrantes da criminalidade da área, denunciando a presença do policial no bairro.
De acordo com Vitor Santos de Jesus, delegado responsável pelo caso, a delação desencadeou uma série de eventos que resultaram no desaparecimento e, consequentemente, na morte do militar. O amigo de Fabrício recebeu uma ligação e foi chamado para prestar esclarecimentos. Temendo ir sozinho, convenceu o PM a acompanhá-lo. Ao chegarem ao ponto combinado, Fabrício teria sido desarmado e levado à força para outro local ainda não identificado.
As investigações indicam que, nesse endereço, o policial foi submetido a um julgamento informal e condenado à morte pelo simples fato de ser policial e estar em uma área dominada pelo crime.
Nesse local, teria ocorrido um 'julgamento', e o policial teria sido condenado à morte pelo simples fato de ser policial e de estar 'no lugar errado, na hora errada', explicou o delegado.
A Polícia Civil apura agora o trajeto feito pelos suspeitos e tenta localizar o local exato onde o crime ocorreu.
Na manhã deste domingo, a Polícia Militar encontrou um corpo enterrado em uma região de mata em Embu-Guaçu, na zona sul da Grande São Paulo. A suspeita é de que os restos mortais sejam de Fabrício Gomes de Santana. A identificação oficial depende do resultado do exame de DNA.
O local foi indicado após uma denúncia anônima, que levou policiais e cães farejadores até o sítio. O caseiro da propriedade foi preso temporariamente. Além dele, outros três suspeitos também foram detidos no decorrer da investigação.
Desde o desaparecimento do PM, as forças de segurança mobilizaram uma grande operação de buscas. No sábado (10), mais de 80 agentes atuaram com apoio de equipes de inteligência, cães e efetivos do Comando de Choque. As ações começaram nas imediações da Represa de Guarapiranga e, posteriormente, foram ampliadas para áreas alagadas.
Fabrício Gomes de Santana foi visto pela última vez nas proximidades da favela Horizonte Azul. A Polícia Civil segue com as diligências para confirmar a identidade do corpo, esclarecer a dinâmica do crime e identificar todos os envolvidos.