Diário de São Paulo
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Operação Miragem

Investigado pela PF, banco ligado a Edir Macedo multiplicou carteira de CDBs em mais de 1.100% em oito anos

Sob investigação por suspeita de gestão fraudulenta, Banco Digimais viu captação via CDB saltar de R$ 694 milhões para R$ 8,5 bilhões entre 2017 e 2025.

Polícia Federal investiga suspeitas de gestão fraudulenta no Banco Digimais, ligado ao bispo Edir Macedo. - Imagem: Reprodução
Polícia Federal investiga suspeitas de gestão fraudulenta no Banco Digimais, ligado ao bispo Edir Macedo. - Imagem: Reprodução

Redação Publicado em 24/06/2026, às 10h01


O Banco Digimais, vinculado ao bispo Edir Macedo, está sob investigação da Polícia Federal após um crescimento de 1.130% em sua carteira de CDBs, que atingiu R$ 8,5 bilhões em 2025, levantando preocupações sobre a gestão da instituição.

A análise dos demonstrativos financeiros revela que o banco atraiu investidores com ofertas de alta rentabilidade, com o custo médio de captação chegando a 115,7% do CDI, enquanto a situação financeira é considerada delicada pelos investigadores.

A Justiça autorizou mandados de busca e apreensão e a quebra de sigilos fiscais, enquanto a PF investiga possíveis fraudes contábeis e o uso irregular de recursos, mas até o momento, o Banco Digimais e as instituições envolvidas não se pronunciaram sobre as acusações.

O crescimento acelerado do Banco Digimais, instituição financeira ligada ao bispo Edir Macedo, entrou no radar das autoridades federais após a deflagração da Operação Miragem, da Polícia Federal. Segundo documentos analisados pelos investigadores, a carteira de Certificados de Depósito Bancário (CDBs) emitidos pelo banco cresceu impressionantes 1.130% em oito anos, alcançando R$ 8,5 bilhões em 2025.

De acordo com os demonstrativos financeiros da instituição, o volume de CDBs emitidos saltou de R$ 694 milhões em 2017 para R$ 8,5 bilhões no ano passado, crescimento sustentado, em grande parte, por ofertas com remunerações acima da média praticada pelo mercado financeiro.

A Polícia Federal investiga suspeitas de gestão fraudulenta, inserção de dados falsos em demonstrativos contábeis e realização de operações de crédito vedadas pela legislação. A Justiça autorizou mandados de busca e apreensão, quebra de sigilos fiscais de investigados e o bloqueio de bens ligados ao fundador da instituição.

Segundo a investigação, o Digimais teria utilizado o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) como um mecanismo de proteção para sustentar a captação bilionária de recursos, mesmo diante de uma situação financeira considerada delicada pelos investigadores.

Em relatório encaminhado à Justiça, a PF afirma que os gestores da instituição teriam transferido o risco das operações para o sistema financeiro ao captar recursos em larga escala, sem lastro patrimonial compatível.

Para atrair investidores, o banco ofereceu produtos com rentabilidade elevada. Em 2025, o custo médio de captação chegou a 115,7% do CDI, enquanto alguns títulos teriam sido ofertados com remuneração de até 140% do indicador.

Documentos internos apontam que grandes plataformas financeiras atuaram na distribuição desses produtos. Entre as instituições citadas estão XP Investimentos, BTG Pactual, Nu Invest, Itaú Corretora, Inter e Ágora.

Os investigadores também apuram se recursos captados pela instituição foram utilizados de forma irregular. A operação busca esclarecer se houve manipulação contábil para mascarar a real situação financeira do banco.

Até o momento, o Banco Digimais e os demais citados não haviam se pronunciado publicamente sobre as acusações no âmbito da investigação.


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